“É doloroso amar alguém em silêncio. É como tentar segurar o vento entre os dedos” — Caio Fernando AbreuParte superior do formulárioParte inferior do formulário
Dayse não sabia por que estava tão inquieta naquela tarde. O almoço com investidores tinha sido marcado às pressas por Enzo — um movimento estratégico, segundo ele, para alinhar os próximos passos da parceria entre as empresas. E ela, como CEO da Lancaster, sabia que deveria manter a compostura. Mas, por dentro, algo estava fora do lugar. O ar parecia mais denso, o tempo mais lento.
Aquele encontro com Theo naquela manhã a desestabilizou.
Assim que entrou no restaurante reservado, seus olhos vasculharam o ambiente de forma instintiva, como se buscassem algo que ela mesma não conseguia nomear. Mas então... viu. Theo.
A imagem dele parou o mundo.
O tempo, o espaço, a lógica — tudo perdeu sentido.
Ele estava ali, vestindo a mesma camisa social escura, com as mangas dobradas e um leve ar de confiança disfarçada. Mas Dayse não viu a roupa, nem o cenário ao redor. Viu apenas o filho. O quarto filho. O que ela teve que deixar para trás. A dor viva da sua existência.
Ela parou. As pernas ameaçaram falhar, mas não caíram. Seus olhos encheram-se de lágrimas, mas ela não piscou. Caminhou até ele como quem cruza um deserto para chegar à única fonte de água. E então, sem dizer uma palavra, sem conseguir se conter, o abraçou novamente.
Um abraço intenso, urgente, sem explicação.
Suas mãos tocaram os ombros dele, o rosto, os cabelos. O beijo em sua testa foi imediato, instintivo — um gesto de amor tão puro quanto o desespero que carregava no peito há anos.
Theo correspondeu, confuso apenas na superfície. Porque, lá no fundo, ele já sabia. Já havia sentido esse abraço intenso antes, mesmo que em outro corpo, outra voz, outro disfarce. Mas agora... agora era ele, Theo, que ela estava abraçando pela segunda vez naquele dia.
Ela, enfim, o via.
— Você... é? — disse Theo, a voz quase engasgada pela emoção.
Dayse não conseguiu responder. Seus olhos diziam tudo. Diziam mais do que anos de palavras poderiam explicar.
Mas então, antes que o mundo pudesse ruir de vez, a voz de Enzo cortou o momento.

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