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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 98

Dayse caminhava apressada pelos corredores envidraçados da empresa Bellucci. Era mais um dia de reuniões, gráficos, estratégias. Mas por dentro, o caos era constante. Seus três filhos a esperavam em casa, e seu plano para reencontrar o quarto ainda estava em andamento — meticuloso, silencioso, como ela.

Ela mal notou a secretária avisando sobre o jovem que a esperava na sala de reuniões auxiliar. Dayse achou que fosse um estagiário novo ou talvez algum trainee destacado para um projeto. Mas, ao abrir a porta, o mundo parou.

Theo estava ali.

Sentado à cabeceira da mesa, com os braços apoiados sobre os documentos. Usava uma camisa social azul-marinho que ressaltava seus traços maduros, apesar da juventude. Os olhos, cor de tempestade contida, se ergueram devagar para encontrar os dela.

O garoto se levantou, confuso. Estava seguindo o plano dos irmãos, sim, mas nada o preparou para aquilo. O jeito como ela o olhava... como se o mundo inteiro estivesse diante dela. Como se ela estivesse à beira do colapso.

Ela não ouviu os próprios passos, nem sentiu a pasta escorregar de seus dedos e cair no chão. Tudo o que existia era ele.

Não havia mais plano, nem disfarce, nem máscaras.

— Theo... — sussurrou. Não era um chamado. Era uma prece.

E então, sem pensar, ela o abraçou.

Naquele abraço, o tempo desfez suas bordas. E tudo o que Dayse conhecia sobre autocontrole... desmoronou.

Um toque forte. Instintivo. Quente. Como só uma mãe que esperou demais pode fazer. Seu rosto mergulhou contra o peito dele e ela o envolveu com um desespero mudo, quase sagrado — selava-se ali uma verdade que, por tanto tempo, existiu apenas no vazio das suposições.

Theo hesitou por um segundo. Não porque duvidasse, mas porque o impacto daquilo era grande demais para ser contido em palavras. Então, fechou os olhos e retribuiu. Seu coração batia acelerado, não de medo, mas de reconhecimento. E, naquele instante, ele soube: “tinha encontrado o lugar de onde sentia falta antes mesmo de conhecer.”

Aquilo não fazia parte do plano. Mas havia algo no abraço dela... no modo como os braços tremiam, como se estivessem compensando anos perdidos. Algo visceral. Era estranho. Familiar. Quase como se já tivesse vivido aquilo antes... numa memória que não existia.

O silêncio entre eles parecia conter séculos.

Quando Dayse se afastou, os olhos estavam marejados. Mas ela recuou. Rápido. Percebeu o que fizera. O que pusera em risco.

— Me... desculpa. É que... você me lembra alguém.

Dayse mantinha os braços encolhidos junto ao corpo, como se tentasse recolher o gesto que já não podia ser desfeito. O rubor em seu rosto denunciava a colisão entre emoção e racionalidade.

Theo virou o rosto e respirou fundo, tentando recuperar o controle. Ele assentiu, ainda em choque. Mas agora queria entender. Precisava entender o comportamento dela... o que a impedia de seguir em frente?

Aquele abraço tinha revirado algo dentro dele — como se seu corpo soubesse de uma verdade que a mente ainda não alcançava.

— Foi só... impulso — ela murmurou, quase para si mesma, evitando os olhos dele. — Às vezes, a memória engana.

Theo finalmente a encarou. Não com mágoa, mas com uma firmeza tranquila, uma curiosidade madura demais para sua idade.

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