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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 95

“Ele me deixa ir. E isso me quebra mais do que se tivesse me impedido.” — Diário de D.

🎵 Trilha sugerida: Love on the Brain – Rihanna

***

Outro dia, Dayse estava com a equipe, concentrada explicando um gráfico com a precisão habitual.

A voz fluía firme, segura. Até que a presença dele rompeu o equilíbrio do momento.

Enzo se aproximou, tão perto que o ar entre eles pareceu rarefazer-se.

Seu perfume discreto se misturou ao dela, criando uma tensão quase palpável — como se o próprio espaço ao redor estivesse tomado por algo invisível, mas irresistível.

― Não precisa me convencer. Já estou completamente convencido.

A frase escapou de seus lábios em um tom rouco, íntimo demais para o ambiente profissional que os cercava — carregada de uma intensidade que parecia deslocada, mas impossível de ignorar.

Dayse parou no mesmo instante. A explicação ficou suspensa no ar. O dedo ainda pairava sobre a tela, mas seus olhos, agora cravados nos dele, pareciam incapazes de desviar.

Por um momento, o gráfico desapareceu. O mundo ao redor se dissolveu. E tudo o que restou foi aquele olhar. Mas logo ela se recuperou.

― Enzo, convencer você de alguma coisa nunca foi o meu propósito.

A resposta veio baixa, só para ele ouvir, mas carregada de uma firmeza que parecia desafiar o próprio ar ao redor.

— E mesmo assim... conseguiu me prender Dayse...

A sala foi se esvaziando aos poucos, como se o próprio ar carregasse a pressa dos outros.

Restaram apenas eles dois, presos no compasso abafado do relógio, que insistia em contar um tempo que ambos se recusavam a reconhecer.

Enzo segurou a pasta de documentos, mas permaneceu imóvel, como se o peso do momento o ancorasse ali.

Dayse, por sua vez, não deu um passo, como quem aguarda, hesitante, entre um gesto de permissão ou uma barreira intransponível.

Foi ele quem rompeu o silêncio.

— Você não vai sair? ― a voz baixa, quase um sussurro que não ousava encará-la.

Ela, no entanto, não se moveu. Ficou ali, firme, com aquele olhar que parecia sempre enxergar além do que era dito.

E então, com uma voz que carregava mais do que palavras, perguntou:

— Você quer... que eu vá?

A pergunta pairou no ar, cortante, como uma lâmina suspensa entre os dois. E ali, naquele intervalo entre o que era dito e o que era sentido, o tempo parecia finalmente ter parado.

Quando ele finalmente respondeu, sua voz saiu rouca. Era como se confessasse algo que estava enraizando dentro dele:

— Não quero..., mas você deve ir... agora.

Mas Dayse não recuava. Pelo contrário: avançava, com gestos medidos, presença forte, olhar sempre um segundo além do aceitável, encurtando perigosamente o espaço entre eles.

Seus olhos o atravessaram, e sua voz, uma mistura de desafio e uma dor quase palpável, soou baixa, mas firme:

— Então peça, que eu vou.

E Enzo, tão acostumado a comandar, via-se constantemente desarmado por ela, permaneceu imóvel, como se o peso do momento o tivesse ancorado ali. Não precisava de palavras para decifrar o que acabara de acontecer; a compreensão veio como uma lâmina afiada, cortante e inevitável.

― Acho que... eu já pedi ― disse ele.

Com movimentos lentos, quase calculados, Dayse pegou a bolsa e atravessou o corredor com a elegância de quem domina o próprio espaço, os saltos altos abafados pelo carpete, mas o perfume...

Ah, o perfume... ficou.

Era como um feitiço, uma presença invisível que o envolvia, deixando o ar denso, quase sufocante. Ele sentiu o aroma sedutor quando ela passou, tão perto que o mundo pareceu se estreitar, ele mal conseguiu respirar.

Ele estava encostado na parede, os olhos fixos nos papéis que fingia revisar, tentando se manter alheio.

Mas ela, já longe dele, sem hesitar, lançou a provocação com a precisão de quem domina o impacto de uma armadilha silenciosa — tão mortal quanto irresistível.

— Está ficando difícil para você, não é? — A voz dela cortou o ar como uma lâmina fina, carregada de uma certeza que não precisava de confirmação.

Enzo ergueu os olhos, pego de surpresa pela pergunta. Não se moveu, mas sua voz, baixa e contida, quebrou o silêncio:

— O quê?

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