“Entre o que desejo e o que me permito, há um campo de batalha onde só eu sangro.” — Diário de D.
🎵 Trilha sugerida: Love on the Brain – Rihanna
... Os encontros estavam se tornando mais breves. Menos espaço, menos razão. Mas o silêncio entre eles só crescia em intensidade. Cada olhar cruzado nos corredores da Bellucci Corporation criava uma eletricidade quase palpável no ar.
Havia algo nos pequenos gestos — uma respiração mais profunda quando ele passava, um passo hesitante dela ao esperar o elevador, dedos que se demoravam um segundo a mais ao entregar documentos. Tudo orbitava em torno de um toque que nunca acontecia, suspenso no limiar do quase.
... Naquela tarde, o destino jogou suas cartas com precisão cruel — como se se divertisse ao brincar com as linhas tênues que ainda os separavam.
As portas do elevador se fecharam com um som seco. E então, silêncio. Só eles dois. Presos naquele pequeno espaço metálico.
O ar mudou. Tornou-se espesso. Carregado de tudo o que não era dito. De tudo o que ainda vibrava entre eles.
Era como se o próprio ar tivesse memória — lembrasse dos olhares, das palavras engolidas, dos encontros interrompidos.
A tensão se instalou, cortante e silenciosa. O espaço era pequeno demais para tanta história mal resolvida. Para tanta emoção contida.
Ela pulsava ali — como uma corrente invisível, elétrica e viva. Não havia mais para onde escapar. Só havia o agora. E o peso de tudo que ainda não havia sido enfrentado.
Enzo quebrou o silêncio primeiro, sua voz mais baixa que o habitual:
— Você mudou ― ele murmurou, quebrando o silêncio que parecia gritar.
Ela levantou as sobrancelhas, desafiadora, mas com um brilho curioso nos olhos.
― Mudei? Você nem me conhece direito. ― Que parâmetro você está usando para comparar?
Dayse ergueu os olhos, encontrando os dele no reflexo das portas metálicas.
Um meio sorriso tocou seus lábios. — Ou é você que está prestando mais atenção?
— Talvez os dois. — Ele se aproximou meio passo, testando os limites. — Você está jogando comigo, Dayse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Pele Que o CEO Não Esqueceu