“Algumas batalhas não se vencem com força, mas com o silêncio de quem sabe esperar o outro baixar a guarda” — Desconhecido
🎵 Trilha sonora sugerida: ♫ “Você Não Entende Nada / Cotidiano” – Ana Carolina & Seu Jorge (Acústico MTV)
... Enzo estava certo de que, mais cedo ou mais tarde, Dayse o questionaria sobre as cláusulas complicadas que ele havia incluído no projeto. Ele imaginava o confronto: o tom firme dela, os olhos em fúria, a tensão inevitável. Era quase como esperar o estopim de uma guerra que ele, ironicamente, desejava.
Mas, para sua surpresa — e incômodo — nada disso aconteceu.
Tudo estava em ordem. O projeto, que ele propositalmente tornara técnico e cheio de armadilhas, foi finalizado com maestria. Não apenas cumprido, mas refinado. Executado com precisão cirúrgica, inteligência criativa e soluções que nem ele havia considerado.
Foi como levar um soco invisível no orgulho.
Ela não só não o procurou…
Como venceu o jogo sem piscar.
Enzo esperava ser necessário, desejava ser convocado, queria que sua ausência fosse sentida. Mas Dayse havia cruzado a linha da dependência.
♫ “Você não entende nada do que eu digo / Eu falo por falar, não penso em você…” ♫ — a música ecoava baixinho na playlist que ele deixava tocar ao fundo do escritório.
Ela era uma profissional completa, inabalável, dona de si. E isso o incomodava — e o fascinava, ao mesmo tempo.
No dia seguinte, ao cruzar com ela, vestiu sua melhor armadura de indiferença. O jogo entre eles, afinal, estava apenas começando.
— Senhora Lancaster — disse ele, com um tom formal, quase frio. Mas seus olhos… seus olhos diziam outra coisa: ardiam em desafio.
— Gostaria de aprofundar o progresso do projeto. Vamos agendar um jantar de negócios esta noite?
A proposta caiu entre eles como um dado lançado sobre a mesa de um cassino.
O olhar de Dayse se estreitou. Ela sabia o que ele queria — e não era revisar planilhas.
— Claro. Vamos, sim, discutir o nosso progresso — respondeu, com um leve sorriso que poderia ser cortesia, ironia… ou os dois.
... O restaurante escolhido era sofisticado, discreto, silencioso o suficiente para que palavras baixas ecoassem como promessas.
Enzo chegou primeiro, impaciente. A ansiedade o corroía, mas ele se recusava a nomeá-la. Preferia chamá-la de “expectativa”. Era mais suportável assim.
Quando Dayse entrou, o ar pareceu mudar, como se carregasse consigo uma aura que não pedia, mas exigia atenção. O coração de Enzo bateu em um ritmo que ele fingia não perceber.
Vestia um longo preto de tecido fluido, que deslizava sobre o corpo como uma extensão da própria pele, realçando curvas e, ao mesmo tempo, irradiando uma graça inatingível.
Os sapatos de salto vermelho-sangue falavam antes dela: poder.
Rosto ligeiramente corado. O delineado ressaltava o tom mel-esverdeado dos olhos com intensidade perigosa.
Cabelos castanhos dourados, levemente volumosos, caindo em ondas sobre os ombros.
Cabelos soltos, ondulados, caíam em ondas sobre os ombros com um descuido preciso.
Ela não tentava seduzir. Apenas era.
Havia algo majestoso e distante nela agora — remotamente imponente. Algo em sua presença que tornava impossível não desviar o olhar para ela uma segunda vez. Sua elegância era magnética, atraindo atenção por onde passava.
Enzo sentiu o golpe antes de perceber. Um baque silencioso no peito.
Ele não sabia, não lembrava..., mas Dayse não era mais aquela menina de antes.
Era a mulher que o mundo tentou destruir — e não conseguiu.
Dayse sabia, com uma certeza quase instintiva, que o jogo havia começado muito antes de qualquer palavra ser dita.
— Você não parece surpresa com o convite — comentou, disfarçando a tensão na voz enquanto fazia um gesto para o garçom servi-la.
Ela levou a taça de vinho aos lábios, saboreando o líquido por um breve instante antes de responder, sem desviar o olhar penetrante que mantinha fixo nele, como se o desnudasse.
— Deveria estar? — murmurou, sem desviar os olhos. — Afinal, um jantar é uma ótima oportunidade para testar as águas… ou afogar alguém nelas.
O sorriso de Enzo veio lento. Ela o provocava com classe. Estava no controle — ou fingia tão bem que ele mesmo começava a acreditar.
Os pratos chegaram. Falaram de negócios. Mas o verdadeiro embate acontecia nas entrelinhas.

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