Quando Liliane finalmente alcançou a margem do açude, percebeu que havia chegado tarde demais. O som de um mergulho brusco rompeu o ar; a mulher havia se atirado nas águas escuras com uma determinação desesperada de quem queria acabar com tudo.
Paralisada de pavor diante daquela cena, Liliane começou a gritar por socorro com toda a força dos pulmões, movida pelo puro instinto. Quase no mesmo instante, um vulto passou por ela feito um raio e mergulhou no açude para tentar o resgate.
Os gritos desesperados atraíram com rapidez as outras pessoas que estavam na fazenda, incluindo a senhora que havia acabado de sair para cuidar dos afazeres diários. Ao perceber que alguém estava tentando tirar a própria vida ali mesmo, a mulher entrou em pânico.
— Meu Deus, o que a gente faz agora?! — Berrou a senhora, gesticulando com pura aflição. — Liguem para o SAMU, rápido! Não fiquem aí plantados!
Não demorou muito para Valentino puxar a mulher das águas turvas, contando com a ajuda das pessoas na margem para içá-la até a terra firme. Sem perder um segundo sequer, ele a deitou no chão, posicionou as mãos sobre o peito dela e iniciou as compressões torácicas da reanimação.
Liliane sentia o coração na boca e estava pálida de tanto susto. A sua única reação foi rezar em silêncio para que a desconhecida sobrevivesse àquela tragédia. Enquanto isso, mais afastada e escondida atrás dos curiosos, uma figura observou todo o resgate em silêncio e se afastou de fininho, sem fazer alarde.
Quando a ambulância finalmente chegou ao local com a sirene ligada, a mulher já havia recobrado a consciência. Como não havia parentes por perto, Liliane e Valentino assumiram a responsabilidade de acompanhantes e seguiram na viatura com ela até o pronto-socorro.
O médico estava encharcado da cabeça aos pés, coberto apenas por uma manta térmica felpuda cedida pelos socorristas. Ao descobrirem que Valentino possuía registro médico ativo e era colega de profissão, os profissionais do SAMU puxaram um pouco de conversa durante o trajeto para aliviar a tensão.
Assim que chegaram ao hospital e desceram da viatura, os dois ficaram observando a equipe médica levar a paciente às pressas em uma maca para dentro do saguão. Liliane deu alguns passos em direção à entrada, mas percebeu que o rapaz havia ficado para trás. Ao virar o rosto, notou a palidez incomum na pele dele e voltou correndo.
— Você está se sentindo bem? — Perguntou ela, transparecendo uma grande preocupação.
— Não é nada. — Respondeu Valentino, a voz soando um pouco mais áspera do que o normal.
— Você está branco que nem cera! — Insistiu Liliane, agarrando o braço dele sem qualquer hesitação. — De jeito nenhum que vou deixar por isso mesmo. Vou levar você lá para dentro e fazer uma ficha agora!
Ela tentou arrastá-lo com força, mas o homem era pesado e não cedeu um milímetro sequer. Num movimento reflexo, Valentino puxou o próprio braço na tentativa de se soltar. Como Liliane segurava firme demais e não o soltou a tempo, acabou perdendo o equilíbrio e caindo com tudo contra o peito dele.
A garota ficou estática, abraçada a ele por puro acidente. Mesmo com a barreira da manta térmica, ela podia sentir a firmeza do corpo do rapaz contra o seu. As roupas dele pingavam água fria, mas a pele irradiava um calor intenso, quase febril.
Valentino permaneceu ereto feito uma estátua, baixando os olhos escuros para encará-la. Uma tempestade de emoções pareceu cruzar o olhar profundo do médico por uma fração de segundo. No entanto, ele ergueu um pouco o queixo, fugindo daquele contato visual tão direto, e respirou fundo até que a sua habitual máscara de frieza voltasse ao lugar de sempre. Com as duas mãos apoiadas nos ombros da jovem, ele a afastou do seu abraço com certa delicadeza.
No fundo da sala, um diretor sênior bateu os nós dos dedos na mesa de vidro duas vezes. O som oco não foi alto, mas bastou para fazer o burburinho da sala morrer de imediato. A expressão mais fechada pertencia ao chefe do Departamento de Fiscalização.
Afinal, a parceria comercial com Santa Aurora tinha sido ideia dele no passado. Tentando manter a compostura, ele ignorou a provocação agressiva do colega e direcionou o olhar para o líder da reunião.
— Senhor Elder, eu já havia alertado sobre a verdadeira situação de Santa Aurora muito antes de assinarmos o contrato. Pelo bem da nossa relação e considerando as dificuldades financeiras da prefeitura, concordamos em dar um prazo bem maior para a prestação de contas.
— O buraco é muito mais embaixo, meu caro! O problema não é apenas a falta de dinheiro, é a postura da diretoria daquele hospital. — Retrucou o primeiro executivo, alterando o tom de voz e gesticulando no ar. — Eles espremeram o nosso preço de custo para aumentar a margem de lucro deles, e cadê que repassaram a diferença na hora certa? Usaram os nossos remédios para tapar os rombos do próprio caixa e agora dão uma de desentendidos! Se alguém tem que pagar o pato aqui por essa confusão, é o seu departamento. Deixar um cliente sem fundo de garantia assumir um compromisso de longo prazo é uma falha gravíssima da Fiscalização!
Depois dessa explosão de raiva do executivo, um silêncio pesado engoliu a sala de reuniões. A única coisa que se ouvia era o zumbido suave do ar-condicionado trabalhando no teto.
Foi exatamente naquele clima tenso que Ricardo abriu a porta dupla de vidro e entrou a passos lentos, acompanhado por Fernanda.
— Para que tanta gritaria a essa hora da manhã? — Indagou Ricardo, esbanjando uma tranquilidade inabalável.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
História finalizou assim ?...
Não tem mais atualização da história?...
A história acabou? Há dias não é atualizada, não sai do cap. 925......
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...