Márcio só foi descobrir que os capangas de Ronaldo haviam ido parar atrás das grades dois dias depois do ocorrido. Aquela omissão o deixou furioso, porque detestava a mera sensação de perder as rédeas da situação.
No camarote reservado daquele karaokê, o estalo do tapa desferido por Márcio contra a cara de Ronaldo ecoou pelas paredes diante dos próprios funcionários do estabelecimento, que baixaram a cabeça na hora, paralisados de medo e sem ousar emitir nenhum ruído.
Com o rosto virado pelo impacto da bofetada, Ronaldo permaneceu calado e de queixo baixo, aceitando aquela humilhação para conter a ira do chefe.
Do outro lado do espaço, o diretor da farmácia mal continha o riso de satisfação. Depois de ter passado vergonha na presença de Ronaldo dias antes, ver o comparsa levar um esculacho daquele tamanho lavava a sua alma. Assim que Márcio voltou a se sentar no sofá de couro, o diretor correu todo solícito com um copo e uma garrafa nas mãos, desmanchando-se em agrados:
— Sr. Márcio, não vale a pena esquentar a cabeça por causa dele. Tenho certeza de que ele não teria coragem de puxar o seu tapete. Tome um pouco de água para refrescar as ideias...
— Eu nunca fui ingrato com você, fui? — Perguntou Márcio em tom gélido, tirando os óculos para limpá-los com uma flanela, sem tirar a atenção de Ronaldo.
— O senhor sempre foi muito bom para mim. — Respondeu Ronaldo com uma reverência comedida.
— Pois não parece. — Retrucou Márcio, erguendo o olhar afiado para encará-lo de frente. — Você achou ruim ter ficado de fora de certas decisões e resolveu fazer birra, colocando em risco os planos do chefão. Se a bronca vier lá de cima, eu não vou mover um dedo para salvar a sua pele.
Ronaldo manteve a boca fechada. A história de que o falso "senhor Ricardo" havia chegado à cidade tinha chegado aos ouvidos de Márcio pela boca do diretor da farmácia, de modo que o patrão já havia juntado as pontas daquela história.
Ainda curvado ao lado do estofado, o diretor não segurou a língua e arriscou uma sondagem:
— Mas me diga uma coisa, Sr. Márcio... quem é esse chefão afinal de contas? Eu nunca vi o cara nem de longe...
— E você acha que alguém na sua posição tem cacife para conhecer um figurão desses? — Disparou Márcio com um olhar carregado de nojo. — Cuide da sua língua e pare de meter o nariz onde não deve, se não quiser amanhecer com a boca cheia de formiga.
A advertência fez o diretor engolir as palavras a seco, com o rosto perdendo a cor diante da ameaça. Ele encolheu os ombros como um cão assustado, perdendo toda a pose.
Mesmo acuado, lançou um relance disfarçado para Ronaldo e achou certo consolo ao ver que o outro continuava de cabeça baixa, humilhado na mesma medida. Esboçou então um sorriso amarelo e tentou consertar o tropeço:
— O senhor tem toda razão, Sr. Márcio. Falha minha por falar demais.
Márcio bufou de impaciência, ajustou as armações de volta sobre o nariz e cravou os olhos severos nos dois subordinados:


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Não tem mais atualização da história?...
A história acabou? Há dias não é atualizada, não sai do cap. 925......
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....