A enfermeira ficou paralisada, sentindo o sangue gelar nas veias, incapaz de formular qualquer resposta.
— O seu menino está com a gente bem seguro. Mas, se o pessoal da Sinar Medical continuar fuçando nessa história, você já pode ir preparando o caixão dele. — Ameaçou Ronaldo. A voz dele era baixa e gélida, sufocando a mulher de pavor a cada palavra.
Antes mesmo que a enfermeira conseguisse processar o peso daquela ameaça, Ronaldo fez um sinal com a mão, ordenando que seus capangas se retirassem. Após dar alguns passos em direção à saída, ele ainda parou para mandar um dos rapazes recolher o lixo espalhado pelo chão, mantendo a pose de controle absoluto do pedaço.
Acompanhado por seus homens, ele caminhou pelo pátio da frente com uma postura arrogante, bem no momento em que a senhora trazia Liliane para dentro da propriedade. A mulher mais velha abriu um sorriso largo e cumprimentou Ronaldo com a familiaridade típica do interior.
— Já estão de saída? Acabou a diversão por hoje?
— Isso mesmo, as contas já estão acertadas. Na próxima a gente volta para aproveitar mais. — Respondeu Ronaldo, acenando de volta com uma educação fingida.
Em seguida, ele cravou os olhos em Liliane. O olhar dele carregava uma frieza tão intensa que bastava um segundo para perceber o perigo que ele representava. Liliane virou o rosto para observar o grupo de homens se afastar, sentindo a tensão abandonar seu corpo aos poucos, permitindo-lhe respirar um pouco melhor.
— Fica tranquila, moça! Não se assusta com a cara de mau dele, o homem tem um coração de ouro. Aquele ali é o Seu Ronaldo, uma figura muito respeitada aqui na nossa região. Se não fosse por ele, muita gente já tinha fechado as portas do comércio. — Comentou a senhora, tentando tranquilizar a visitante.
Liliane forçou um sorriso amarelo e comentou com cautela:
— Nossa... eles não têm muita cara de quem trabalha com comércio.
— Ah, você está falando daquela molecada desordeira? Eles andam na aba do Sr. Ronaldo. Antes de ele chegar por essas bandas, esses baderneiros davam o maior trabalho, não queriam saber de serviço honesto e viviam arrumando briga na rua. Mas olha só agora, estão todos calminhos, ralando de verdade a serviço do chefe!
Diante daquela explicação enviesada, Liliane preferiu engolir suas dúvidas e ficar quieta.
— Era essa moça que você estava procurando? Se for, eu vou voltar pros meus afazeres. Quando tiver um tempo livre, aparece aqui para tomar um café com a gente! — Disse a senhora, guiando Liliane até o quintal dos fundos.
De longe, já era possível notar uma silhueta encolhida no chão.
— Muito obrigada pela ajuda.
— Imagina, não foi nada.
A mulher acenou de forma amigável, pegou sua cesta de compras e seguiu seu caminho.
Foi naquele momento que o celular de Liliane começou a tocar. Era Valentino. Ela atendeu de imediato, mas antes que pudesse dizer um "alô", a voz grossa e urgente dele tomou conta do aparelho:
— Você...
— Eu errei muito! Me perdoa, por favor! Eu não devia ter mentido para você! — Em um surto de desespero, a enfermeira se jogou para frente, agarrando-se às pernas de Liliane enquanto desabava de joelhos na terra.
Pega de surpresa por aquela reação dramática, Liliane ficou paralisada por alguns segundos, sem saber o que fazer, até conseguir segurar os ombros da mulher.
— Mas o que é isso? Levanta desse chão, pelo amor de Deus!
— Não! Eu não vou levantar! — Soluçou a enfermeira, com a voz embargada pela dor. — Tudo o que eu te falei no hospital era mentira! A verdade é que aqueles remédios não têm nada a ver com o pessoal da direção! Fui eu... eu fiquei com muito medo de assumir a culpa e acabei inventando essa história de que o hospital estava envolvido! Fui eu que peguei o lote de vocês e vendi por um preço mais barato para embolsar o dinheiro! Se vocês precisam prender alguém, a culpa é toda minha! Eu assumo tudo!
A cabeça de Liliane virou uma bagunça completa. As informações não faziam o menor sentido com o que havia descoberto antes. Contudo, antes que ela pudesse processar toda aquela reviravolta, a enfermeira a empurrou de leve e começou a bater a própria testa no chão em sinal de submissão.
— Srta. Liliane, foi a pura ganância que me cegou! Aquele dinheiro sujo não tem ligação nenhuma com o hospital. Eu só te peço uma coisa, pelo amor que você tem à vida: parem de investigar isso! Vão embora de Santa Aurora, por favor! — O olhar da mulher transbordava loucura e desolação. Ela se levantou cambaleando, mal conseguindo manter o equilíbrio. — Se você não prometer que vai parar, eu prefiro morrer agora mesmo para provar que falo a verdade!
Sem dar qualquer chance para que Liliane argumentasse ou a impedisse, a enfermeira deu as costas e disparou feito um raio em direção ao açude que ficava ali perto, pronta para se atirar nas águas escuras.
— Não faz isso! — Gritou Liliane, correndo atrás dela em pânico.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
História finalizou assim ?...
Não tem mais atualização da história?...
A história acabou? Há dias não é atualizada, não sai do cap. 925......
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...