Valentino virou as costas e começou a descer os degraus de pedra do prédio.
Liliane precisou de alguns segundos para processar a informação, mas logo apressou o passo para acompanhá-lo.
— Mas como isso é possível? — Ela indagou, ainda confusa com a situação. — Por pior que seja o faturamento do hospital, a prefeitura não repassa algum tipo de verba para ajudar nas contas?
— Verba da prefeitura? — Valentino estacou no meio do caminho, soltando uma risada anasalada e sem humor, e virou o rosto para encarar a ingenuidade estampada na expressão da garota. — O dinheiro público mal cobre uma parte do salário base da equipe, então todo o resto depende da renda gerada pelos serviços médicos. Sem contar a folha de pagamento gigante que eles precisam cobrir, você já parou para calcular o custo de manutenção de todos aqueles aparelhos? Santa Aurora é um município esquecido e sem recursos faz anos, de onde você acha que o governo municipal vai tirar dinheiro para bancar o hospital?
Liliane ficou paralisada no lugar, sentindo a brisa bagunçar os fios soltos em sua testa. Ouvir aquela explicação crua e direta fez a raiva dela desaparecer quase por completo, dando lugar a uma sensação de impotência.
Ainda assim, dar o calote nas dívidas não era uma atitude correta. Ela abaixou a cabeça, chutando uma pedrinha solta no chão com a ponta do sapato, e perguntou em um tom mais baixo:
— Então quer dizer que não tem mais solução?
Valentino colocou as mãos nos bolsos da calça, lançando a ela um olhar enigmático.
— Se você quer de fato resolver esse problema, a única saída é a Sinar Medical romper o contrato e tirar a equipe do hospital. Recuperar o dinheiro que ficou para trás vai ser muito difícil, mas pelo menos a gente evita um prejuízo ainda maior daqui para frente.
Liliane pensou sobre o assunto por um tempo antes de dizer:
— Aqueles medicamentos especiais que a empresa fornece... eles salvam vidas, não é?
— Salvam.
— Se a Sinar Medical quebrar o contrato, isso significa que a população de Santa Aurora vai ficar sem acesso a esses remédios vitais. Quando alguém tiver uma emergência, a pessoa vai ser obrigada a pegar horas de estrada até a capital para conseguir atendimento?
Percebendo a seriedade no rosto dela, Valentino deu um passo à frente, com os olhos escurecendo em uma expressão de análise profunda e solene.
— É bem por aí.
— Então não podemos cancelar esse contrato de jeito nenhum! — Ela disse, com convicção.
Ao ouvir aquela resposta, ele ergueu uma das sobrancelhas. Um sorriso quase imperceptível surgiu no canto dos seus lábios, mas ele logo recompôs a postura fria e perguntou:
— E por que não? Você nem conhece o pessoal daqui e o seu crachá é da Sinar Medical. A sua prioridade não deveria ser proteger os interesses da empresa?
Liliane ergueu o queixo, mantendo a postura firme e orgulhosa.
— Olha, eu posso não entender de negócios, mas eu sei muito bem o que é ter caráter e dormir com a consciência limpa. Você me explicou a situação do hospital e eu até entendo o lado deles, por mais que eu não concorde com a falta de pagamento, só que os moradores não têm culpa de nada disso. Se eu cortar o fornecimento desses remédios e alguém piorar por causa disso, eu vou carregar essa culpa para o resto da vida! Tem que existir uma saída melhor do que virar as costas e ir embora da cidade!
— Viu só, pai? Eu falei que não estava exagerando! — Luana comentou com animação, sentada na poltrona ao lado. — A minha futura cunhada não forma um casal lindo com o Vinícius?
— Com certeza, vocês dois combinam demais! — Danilo concordou, balançando a cabeça com satisfação, o que deixou Sarah ainda mais corada e sem graça.
— Ela fez questão de trazer esses cafés especiais para o senhor. Avisei que não precisava trazer nada, mas ela ficou com vergonha de chegar de mãos vazias. — Vinícius explicou a situação, colocando a caixa luxuosa em cima da mesa de centro para poupar a namorada de se justificar.
Danilo fez um gesto com as mãos, dispensando o excesso de formalidades.
— Que bobagem, Sarah. Aceito de coração qualquer coisa que venha de vocês, não ligo para essas regras cheias de frescura.
Luana se levantou e foi sentar no braço do sofá, perto de Sarah.
— Está vendo? Meu pai é a pessoa mais tranquila do mundo, não precisa ter receio dele.
Sarah soltou um sorriso de alívio, sentindo a tensão abandonar o corpo. Danilo observou a cena cheia de vida e, por um instante, o peso da tristeza tomou conta de suas feições. Ele abaixou o olhar e soltou um suspiro pesado.
— Se a mãe de vocês estivesse acordada agora, tenho certeza de que ela estaria radiante de alegria com tudo isso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
História finalizou assim ?...
Não tem mais atualização da história?...
A história acabou? Há dias não é atualizada, não sai do cap. 925......
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...