O discurso amigável pegou a enfermeira de surpresa, deixando-a sem reação. O rosto dela foi tomado por uma mistura de constrangimento e desconforto, sem saber o que responder.
Ignorando o clima estranho, Liliane começou a distribuir os copos entre os estagiários.
— Venham pegar, tem para todo mundo! Muito obrigada pelo esforço de vocês nessa última semana.
— Muito obrigado, Srta. Liliane — Agradeceram os jovens em coro, aproximando-se para pegar a bebida quente das mãos dela.
Apenas a enfermeira permaneceu afastada, observando a cena em silêncio, imersa em seus próprios conflitos.
A garota então estendeu o último copo na direção da mulher.
— Esse é o seu.
A enfermeira cruzou os braços e não aceitou a bebida, franzindo a testa. Após alguns segundos de hesitação, ela suspirou.
— Agradeço de coração a sua gentileza. Mas eu tenho muito trabalho para terminar agora, então não vou querer.
Sem esperar por uma resposta, ela deu as costas e caminhou para o outro lado da sala para preparar mais alguns medicamentos.
Liliane apenas deixou o café na mesa da funcionária e foi se aproximando devagar, até parar ao lado dela.
— Olha, será que eu posso te fazer uma pergunta rápida? — Indagou ela, em voz baixa.
A enfermeira nem se deu ao trabalho de erguer os olhos, como se já soubesse o rumo da conversa.
— Se for sobre aquele lote de remédios, eu não faço a menor ideia. O estoque é responsabilidade exclusiva do nosso chefe, e a gente não tem autorização para dar palpites nisso.
— Sim, eu compreendo a situação, mas o que eu queria saber na verdade era...
Antes que a garota pudesse concluir a frase, o diretor do hospital empurrou a porta com truculência. Ao bater os olhos em Liliane, o rosto do homem se fechou em uma expressão carregada de irritação.
— Vocês da Sinar Medical não sabem quando parar de encher o nosso saco? Eu já perdi a conta de quantas vezes avisei! A quantidade de remédios que entregaram para nós no passado foi idêntica à que vendemos! Já mostramos todos os livros de registros, e se as contas de vocês não batem, o problema não é nosso! Passaram três anos sem se importar com nada e agora resolvem fazer auditoria e jogar a culpa nas nossas costas? Façam o favor de sumir daqui agora!
O diretor não deu a menor chance para Liliane se defender, já apontando para a saída para expulsá-la do local. Ela ainda tentou argumentar e abriu a boca para falar algo, mas o homem foi irredutível ao apontar para a porta.
— Se você não der o fora daqui agora, eu vou chamar os seguranças!
Percebendo que não valia a pena causar um escândalo no meio do hospital, ela soltou um suspiro de frustração e se retirou do local, sem outras alternativas a não ser ceder.
— Se você comparar com os grandes hospitais da capital, não acha que este lugar está pacato demais?
A pergunta dele fez a garota travar por um instante. Com esse alerta, ela voltou a examinar o interior do prédio com mais atenção. Os poucos pacientes que aguardavam atendimento eram, em sua maioria, idosos e algumas crianças de colo. Não havia filas nos guichês, e as cadeiras da área de espera da farmácia estavam ocupadas por apenas meia dúzia de pessoas. O resto do espaço era um verdadeiro mar de assentos vazios.
— É verdade... — Ela o encarou, com um ponto de interrogação no rosto. — Mas a população de Santa Aurora é muito pequena. Não é super normal que o hospital não tenha tanto movimento assim? Tem alguma coisa errada nisso?
Valentino abaixou os olhos e fixou o olhar nela, adotando um tom mais sério e calculista.
— Sendo uma instituição privada, se eles não tiverem lucro suficiente para fechar as contas no final do mês, quanto tempo você acha que conseguiriam manter as portas abertas?
Liliane ficou em silêncio por um breve momento, absorvendo as peças do quebra-cabeça até começar a entender onde ele queria chegar.
— Espera aí... Você está me dizendo que eles desviaram o dinheiro dos nossos remédios porque as finanças do hospital estão no vermelho?
O canto dos lábios dele se curvou em um esboço de sorriso.
— Até que você não é tão lerda quanto parece.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
História finalizou assim ?...
Não tem mais atualização da história?...
A história acabou? Há dias não é atualizada, não sai do cap. 925......
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...