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A Morte dele Chega Antes do Divórcio? romance Capítulo 206

Ao olhar para os números, ela achou que seus olhos apresentavam algum problema.

Embora não tivesse miopia, enxergava tudo como se estivesse por trás de uma névoa.

39,5 graus.

A febre voltara.

Tonta, enjoada, sentiu-se mal.

Não havia ninguém em casa.

Ela tateou até encontrar o celular, querendo ligar para Giselda Barbosa.

Ao tentar desbloquear a tela, ficou surpresa ao perceber que sua visão estava cada vez mais turva.

Esfregou os olhos com as mãos, tentando dissipar o nevoeiro diante de si.

Em vão, tudo permaneceu embaçado.

O coração de Estefânia disparou em pânico; sentiu-se tão indefesa e assustada como nunca antes.

Com a consciência se dissipando aos poucos, ficou atônita.

Sem saber o que fazer.

Com o último resquício de lucidez, estendeu o dedo com dificuldade, pressionou o botão do assistente de voz e murmurou com voz fraca: “Ajude-me… a ligar para Pér…”

O celular emitiu um som.

“O assistente está ligando para o primeiro número do histórico de chamadas… Péricles. Aguarde um momento.”

O celular discou automaticamente para o número de Péricles.

O ar ficou impregnado de um silêncio mortal.

O tempo passou lentamente, e ninguém atendeu.

A visão de Estefânia, no escuro, foi se desfazendo, restando apenas uma tênue percepção de luz.

Movida pelo instinto de sobrevivência, tentou descer para pedir ajuda.

O destino, porém, pregou-lhe uma peça.

Com a visão prejudicada, perdeu o degrau, desequilibrou-se e em seguida ouviu-se o som angustiante de seu corpo rolando escada abaixo.

“Ah…”

O grito de dor de Estefânia ecoou.

Seu corpo caiu pesadamente até o último degrau.

Estefânia apertou o abdômen com as duas mãos; a dor intensa veio como uma onda avassaladora.

Em seguida, percebeu um líquido vermelho se espalhando lentamente sob seu corpo.

Ela perdeu a consciência por completo…

……

Péricles desceu do cemitério com expressão fechada.

Já tinha praticamente certeza de quem havia roubado a urna de cinzas da mãe.

“Eu…” Estefânia viu apenas escuridão diante de si.

Estendeu a mão, tentando tocar ou segurar algo, mas não conseguiu segurar nada. “Dr. Carneiro… meus olhos… e…”

Tremendo, levou a mão ao próprio abdômen.

“Ele… ainda está aqui? Meu bebê ainda está aqui? Lembro que caí da escada, meu filho está bem? Dr. Carneiro…”

Estefânia quase chorou de desespero.

Leonel segurou sua mão, consolando-a com voz suave: “O bebê está aqui, ele é forte, está quietinho na sua barriga, não se preocupe.”

Estefânia chorou.

O bebê estava ali, estava bem, mas ela… não conseguia mais enxergar.

“Dr. Carneiro, o que os médicos disseram sobre meus olhos?”

“Foi uma cegueira causada pela febre, mas…” Leonel explicou, tentando não deixá-la triste, “…o médico disse que é algo temporário. Talvez, em algum dia, você volte a enxergar.”

Ela sorriu.

Talvez algum dia, mas qual dia?

Um dia ou a vida toda.

Ela estava cega.

Não importava se o mundo era belo ou cruel, ela não poderia mais ver.

Seu mundo seria, para sempre, apenas escuridão.

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