“Sim.”
“Péricles, o que você está fazendo? Você veio à Floresta de Coral para sequestrar a criança?” Estefânia, desesperada, apertou o pequeno Nozinho nos braços e recuou três passos seguidos. “Péricles, este é meu filho, você não pode levá-lo.”
“Ele também é meu filho.”
“Mas fui eu que o pari. Se eu não concordar, você não pode levá-lo.” Estefânia protegeu o pequeno Nozinho, com os olhos vermelhos de lágrimas. “Péricles, não me faça te odiar.”
O homem agiu como se tivesse ouvido uma piada.
O canto dos lábios se arqueou, mostrando escárnio e frieza. “Se eu não levar meu filho, você não vai me odiar? Estefânia, você já não me odeia o bastante? O que importa odiar uma vez a mais ou a menos? Você acha que eu me importo?”
Péricles olhou discretamente para Caio.
Então, Caio arrancou, à força, o pequeno Nozinho dos braços de Estefânia.
O pequeno Nozinho, apavorado, começou a chorar alto.
Estefânia sentiu uma dor lancinante, como se seu coração fosse rasgado.
“Nozinho, querido, não tenha medo. O senhor só vai brincar um pouco com você, e logo a mamãe vai te levar para a escola, está bem?”
Ela nunca implorara a Péricles.
Mas, dessa vez, ela se ajoelhou diante dele.
“Péricles, qualquer mágoa ou rancor que você tenha, direcione a mim. Nozinho ainda é pequeno, ele não pode ficar longe da mãe. Por favor, não o leve, está bem?”
Ela chorava tanto que o corpo inteiro tremia.
O olhar de Péricles mudou.
Não era mais como antes, quando se compadecia com facilidade.
“Péricles, qualquer condição que você imponha, eu aceito, contanto que deixe Nozinho comigo. Eu faço tudo o que você quiser.”
Péricles se abaixou lentamente, apoiando-se sobre um dos joelhos. Com os dedos longos, ergueu delicadamente o queixo afilado de Estefânia, com um olhar profundo e complexo.
Ela era realmente muito bela, especialmente com lágrimas nos olhos, o que tornava sua fragilidade ainda mais comovente.
Isso despertou nele uma onda de desejo incontrolável, uma vontade de “castigá-la” severamente.
Mas, afinal, quem a machucara primeiro fora ele.
Será que ele já havia esquecido?
“Péricles, afinal, de que você está ressentido?” Estefânia quase quebrou os dentes de tanta raiva, levantando-se do chão com o corpo trêmulo. Ela foi até Péricles e lhe deu um tapa com força. “Por que eu preciso estar presa a você? Não posso viver a vida que desejo? Se eu soubesse que hoje você viria disputar a criança comigo, eu jamais o teria gerado.”
“Se soubesse?” Ele riu.
Riu com desprezo.
A mão grande agarrou o pescoço dela, apertando-o com força. “Se eu soubesse que você ficaria com outro homem, eu teria revirado cada canto desse mundo para te encontrar e te amarrar ao meu lado.”
“Estefânia, eu lhe dei três anos. Achei que, em três anos, você se curaria da dor e poderíamos recomeçar…” Ele inspirou fundo, o olhar cada vez mais frio e decepcionado. “…Também dei a mim mesmo esses três anos… E você me surpreendeu dessa forma. Como você espera que eu aceite isso?”
Ele sorriu com amargura.
As mulheres, afinal, são mais implacáveis do que os homens.
Ele soltou o pescoço dela suavemente. “Sra. Moreira, já que fez sua escolha, não se arrependa. Nós dois somos iguais.”

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