Nesta vida, parecia até compreensível que Daniela tivesse tramado com todas as forças para matá-la.
Causa e efeito.
Afinal, todos acabavam sendo a retribuição de alguém.
Mas ela não se conformava em usar as três vidas da família Moreira como preço pela morte de Daniela.
“A morte de Horácio, não foi por sua culpa? Foi você quem o empurrou para um abismo do qual ele nunca deveria ter se aproximado. Você fala em vingança por ele, mas... na verdade, quem mais deveria morrer é você.”
“Foi você quem matou Horácio, não eu…” A cabeça de Daniela balançava incontrolavelmente, como se estivesse sofrendo algum tipo de choque. “Você o matou, então tem que morrer por ele.”
“Não fui eu quem o matou, foi você.” Estefânia lembrou, pausadamente, os crimes que Daniela cometera. “Foi você quem matou meu irmão primeiro, e por isso Horácio morreu. Foi você, Daniela. Por uma vingança pelo suposto amor, acabou matando seu próprio irmão.”
Horácio não deveria ter morrido.
Então seria Marcelo quem mereceria morrer?
O irmão dela tinha apenas dezesseis anos, sua vida estava apenas começando.
Era apenas um ciclo de retribuição.
Estefânia nunca deveria tentar argumentar com uma louca.
Elas eram inimigas, não confidentes.
Daniela recusava-se a aceitar aquelas palavras.
Com o rosto distorcido, negava tudo que Estefânia dizia. “Não, não foi assim, foi você quem o matou, foi você.”
“Estefânia, morra...”
Daniela, fria, retirou o pino da bomba-relógio.
Dez minutos no cronômetro.
Nem muito, nem pouco, como uma ampulheta feita sob medida.
O tic-tac desestabilizava qualquer um.
Ela parecia tranquila.
Aceitava seu próprio momento de morte.
Mas Estefânia não se conformava.
Por que deveria morrer nas mãos de uma insana?
“Daniela…” Estefânia reuniu todas as forças para se libertar das cordas que a prendiam.
Mas a bomba-relógio estava presa por um nó impossível de desfazer. “...Daniela, você realmente não quer mais viver? Então, escute isto.”
Era uma gravação.
E também uma tentativa de se salvar.
Daniela caiu na armadilha, com expressão feroz, lançou um olhar furioso para Estefânia. “Você pretende fazer algo com a minha família? Estefânia, acha que é Deus?”
Restavam dois minutos.
Por dentro, Estefânia estava apavorada.
Mas por fora, manteve-se serena e indiferente diante da vida e da morte.
Não se percebia nela qualquer sinal de pânico.
Ela apontou para a bomba-relógio presa ao próprio corpo.
Daniela, cerrando os dentes de ódio, quando faltavam apenas trinta segundos, usou o controle remoto para pausar a contagem.
Naquele embate,
Estefânia saíra, por ora, vitoriosa.
Mas a bomba-relógio apenas fora pausada, não tinha o cronômetro encerrado.
O risco de ser explodida ainda pairava sobre ela.
...

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