“Este é o genro, não é? Helder, você realmente teve sorte, todos dizem que um genro é quase como um filho; seu genro, para mim, não tem diferença de filho.”
“Veja só, está sempre ocupado, servindo chá, trazendo água, com uma paciência invejável, muito melhor do que meu filho, que vive reclamando. Sinceramente, eu invejei você.”
“Eu reparei que sua filha parece estar grávida, não é? Com um genro tão bom, certamente será um ótimo pai no futuro. Helder, você pode esperar por dias tranquilos.”
Os colegas de quarto do hospital elogiaram sem parar.
Elogiaram tanto Leonel quanto Helder, que ambos ficaram sem graça.
Diante de estranhos, também não souberam como explicar.
Quando ficaram a sós, Helder ainda disse a Leonel que não levasse para o lado pessoal.
“Eles apenas estão fazendo suposições sem fundamento, não se preocupe com isso.”
“Sr. Moreira, eu não me importei, para falar a verdade. Agora que Estefânia se divorciou, eu... também gostaria de conquistá-la.”
Foi a primeira vez que ele expressou seu pensamento com tamanha ousadia.
Helder já havia percebido algo.
Leonel realmente era um bom homem, tinha uma profissão respeitável, vinha de uma família tradicional, era excelente em todos os aspectos.
Exatamente por isso.
A família Carneiro jamais aceitaria uma mulher grávida se casando ali.
Falando de maneira franca.
Eles considerariam isso uma ofensa à família Carneiro.
Como pai, ele não queria que a filha passasse por esse tipo de humilhação.
Ele não conhecia muito bem o relacionamento dos dois, então hesitou, “Estefânia... sobre você... vocês dois...”
“Sr. Moreira, minha intenção de conquistar Estefânia é sincera. Para ser honesto, gosto dela há muitos anos. Não sei se o senhor... tem alguma opinião a respeito?”
Helder não esperava tamanha franqueza de Leonel.
Ficou sem palavras por um instante.
“Leonel, ela sabe que você quer conquistá-la?”
Leonel baixou os olhos.
Ainda não tivera coragem, mas se Helder concordasse...
Ele avistou Péricles encostado na porta do carro, abaixando a cabeça para acender um cigarro.
Naquele dia, Estefânia havia dito que sairia para resolver questões do seu ateliê, então, por que Péricles estava ali...
O homem tragou o cigarro, virou o rosto e olhou para Leonel.
“O que foi? Gostou dessa coisa de genro de mentira?”
As palavras de Péricles foram bastante irônicas.
Leonel, porém, não se envergonhou. Pela primeira vez, retrucou, “Você nem de mentira é mais, não é mesmo?”
“Leonel, é isso que você quer? Ser padrasto do meu filho?” Ele tragou fundo, jogou o cigarro no chão e o pisou com força. “Você já perguntou o que Estefânia acha disso? Não adianta se empolgar sozinho.”
Leonel sorriu de leve.
Assuntos do coração se cultivavam com o tempo.
Naquela época, Estefânia também não se interessou por Péricles.
Caso contrário, ele não teria precisado lutar por ela durante sete anos.
“Você também não começou sozinho, não foi?”

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