Aeroporto.
O avião particular já estava pronto na pista, preparado para decolar.
Péricles apresentava um semblante severo.
Caio sentiu-se obrigado a lembrar: “Sr. Rodrigues, não sabemos como está a situação da Sra. Moreira agora. O senhor…”
Péricles interrompeu os passos.
As lembranças da vida passada vieram à tona.
Ele, por causa da doença de sua mãe, acabou por deteriorar cada vez mais sua relação com Estefânia e, no fim, perdeu-a durante o parto.
Agora…
Ela ainda enfrentava risco de vida.
Deveria ele ir salvá-la primeiro, ou tratar dos assuntos funerários de sua mãe?
“Já enviaram alguém para procurá-la? Há alguma notícia?”
“Já mandei gente, mas…” Caio revelou que ainda não havia qualquer retorno.
Péricles hesitou.
A morte trágica de sua mãe o deixou devastado, desejava profundamente prestar-lhe a última homenagem.
Mas Estefânia não era igualmente importante?
Na vida anterior, ele ficou em dívida com ela; nesta vida, como poderia abandoná-la novamente em perigo?
Sem considerar as consequências.
Um dilema.
“Sr. Rodrigues, quer que eu cuide dos preparativos do funeral da senhora? O senhor pode ficar aqui,” sugeriu Caio.
Péricles permaneceu em silêncio.
Por dentro, sentia-se atormentado.
O avião estava prestes a decolar.
Na tela da televisão, uma notícia bombástica era transmitida.
“Últimas notícias: ocorreu uma explosão no Parque das Acácias, deixando três mortos, cinco gravemente feridos e sete com ferimentos leves. O incidente foi grave; segundo moradores, tratou-se de uma tentativa de resgate malsucedida durante um sequestro. Entre as vítimas, há grandes indícios de que uma delas seja a ex-esposa do presidente do Grupo Rodrigues, Péricles…”
“Sr. Rodrigues, é o condomínio onde Daniela mora. Será que foi mesmo Daniela quem sequestrou a Sra. Moreira?” exclamou Caio.
Explosão?
Conhecendo o temperamento instável de Daniela, era muito provável que ela tivesse amarrado uma bomba-relógio em Estefânia.
Nesse caso, ela não teria sobrevivido…
A mente de Péricles entrou em colapso…
O mundo girou ao redor.
Sua mente ficou completamente em branco.
“Estefânia, Estefânia…”
Caminhou cambaleante para fora do avião.
Aquele presidente sempre altivo e inabalável agora estava completamente perdido, fragilizado.
O carro avançou na maior velocidade, ignorando vários semáforos até chegar ao local do ocorrido.
O condomínio atingido pela explosão já estava isolado pela polícia.
“Sr. Rodrigues, talvez devêssemos voltar. Eles não estão permitindo a entrada.”
“Quero ver Estefânia, preciso garantir que Estefânia está segura, que não aconteceu nada com ela…” gritou Péricles, tomado por uma dor incontrolável.
Caio estava impotente.
Mas os policiais continuavam impedindo a passagem.
Ao virar-se, avistou Giselda.
“Sra. Barbosa.” Caio sentiu como se tivesse encontrado uma salvadora. “A Sra. Moreira…”
O olhar de Giselda vacilou levemente; por trás de Caio, viu Péricles em prantos.
Veio lamentar a morte?
“Pare de fingir, Péricles. Beatriz ligou para pedir sua ajuda e você disse que tinha coisas mais importantes para resolver. Daniela também tentou te ligar várias vezes para que você aparecesse, mas nem atendeu. Você nunca se importou com a vida ou com a morte de Estefânia. Agora que algo aconteceu, está chorando como se fosse humano. Onde estava antes?”
Como alguém poderia ser tão descarado?
Cuspiu no chão.
“O Sr. Rodrigues de fato estava preocupado com a Sra. Moreira, mas…” Caio tentou explicar por Péricles.
Giselda ergueu a mão, interrompendo com irritação: “Basta, vocês só vão ficar satisfeitos quando não restar ninguém da família Moreira. O que foi, a família Moreira destruiu o túmulo dos seus ancestrais em alguma vida passada?”

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