Kris e Thalassa se abaixaram juntos no instante em que Alex correu em disparada e se jogou em seus braços, alcançando primeiro Thalassa. O menino a envolveu pelo pescoço com um abraço apertado, exclamando com entusiasmo:
— Mamãe! Senti sua falta, mamãe!
Thalassa o envolveu com ternura, e sua voz saiu trêmula ao sussurrar:
— Também senti sua falta, meu amor. Muito. — Seus dedos acariciaram com suavidade os fios de cabelo dele, enquanto a alegria tomava conta do ambiente.
Mesmo tentando se controlar, Kris não conseguiu evitar a onda de ansiedade que tomou seu peito.
Fazia semanas desde os poucos dias que passara com Alex em Nova Luz, e, apesar das videochamadas quase diárias e de todo o esforço para manter a conexão, o medo persistia. "E se o menino não o recebesse com a mesma alegria? E se ainda houvesse distância entre os dois?"
Mas, como se sentisse sua hesitação, Alex, ainda abraçado a Thalassa, esticou um bracinho em direção a ele.
— Papai, vem! — Disse com a voz quente e acolhedora.
O peito de Kris se encheu de emoção, e um sorriso largo se abriu em seu rosto quando ele se inclinou para o abraço, envolvendo Thalassa e Alex em seus braços. Juntos, os três compartilharam um abraço familiar que parecia unir cada peça de um quebra-cabeça no lugar exato.
Quando, por fim, se afastaram, Kris segurou o rostinho de Alex entre as mãos e perguntou com carinho:
— Sentiu minha falta, campeão?
A testa de Alex se franziu num gesto de puro espanto diante da pergunta.
— Sim! Também senti sua falta, papai!
A garganta dele se apertou, e uma ardência tomou seus olhos, embora as lágrimas não chegassem a cair. Então, ao fitar Thalassa, Kris sorriu com reconhecimento e ternura, entendendo o olhar maroto que ela lançara no dia anterior, quando ele mencionara a viagem para Nova Luz.
— Você armou tudo, não foi? — Acusou ele, esboçando um sorriso de canto. — Por que resolveu guardar segredo?
Os lábios de Thalassa se curvaram em um sorriso provocador.
— Eu queria te fazer uma surpresinha...
— Bem... — Começou Kris, com a voz embargada pela emoção. — Essa foi a melhor surpresa que você poderia me dar.
O ruído da porta principal se abrindo atraiu o olhar dos três. E, quando Luisa e Alden entraram, o rosto de Alex se iluminou imediatamente, tomado por uma alegria espontânea.
— Tia Luisa! — Exclamou, correndo na direção dela.
O semblante dela se transformou em um sorriso caloroso, e, agachando-se de imediato, abriu os braços para acolher o menino, que correu e se jogou em seu abraço.
— Mas olha só quem apareceu, o meu garotinho favorito! — Disse, rindo e apertando-o contra o peito.
Ao lado, Thalassa e Kris se levantaram, observando com sorrisos o menino tagarelar animadamente para Luisa sobre como sentira sua falta e sobre a viagem até Baltimore.
Em seguida, Kris desviou o olhar para a sala de estar, notando Bridget, Boatemaa e Betty próximas de várias malas grandes, e, tomado pela confusão, franziu a testa antes de encarar Thalassa.
— Espera aí. — Disse. — Por que você pediu para a Betty trazer o Alex para Baltimore, em vez da gente ir para Nova Luz? E... Por que trouxeram tanta bagagem assim?
Thalassa cruzou os braços e o encarou com uma expressão exagerada de obviedade.
— Porque ele vai ficar aqui.
Kris piscou.
— Ficar... Tipo...?
— Permanentemente. — Esclareceu ela com um sorriso tranquilo.
Kris gaguejou, sentindo os pensamentos embaralharem.
— Eu… Eu achei que você não quisesse mais nada em Baltimore depois de tudo o que aconteceu aqui. Tipo...
Por um momento, Tessa pareceu hesitar, mas logo começou a se mover em direção a Kris, com passos pequenos e cautelosos. Assim que chegou perto, ele a envolveu pelos ombros e a trouxe delicadamente para junto de Alex.
— Tessa. — Disse ele com um tom caloroso e cuidadoso. — Quero que conheça alguém muito especial. Esse é o Alex. — Ele apontou para o menino. — Seu irmão.
Tessa franziu levemente as sobrancelhas, sem disfarçar a confusão.
— Irmão? — Repetiu baixinho, desviando o olhar para Alex.
— E Alex. — Continuou Kris, com orgulho contido na voz. — Essa é a Tessa. Sua irmãzinha.
Os dois pequenos de três anos ficaram se olhando em silêncio por alguns instantes que pareceram durar uma eternidade, e o ar parecia carregado de expectativa enquanto todos observavam, atentos.
De repente, o rosto de Alex se iluminou com um sorriso cheio de alegria, e ele bateu palminhas, soltando um grito empolgado:
— Eu tenho uma irmã? Eu tenho uma irmã!
A risada tomou conta do ambiente, dissolvendo qualquer tensão em calor e alegria.
Logo, Alex voltou a olhar para Tessa.
— Oi, maninha. Prazer em te conhecer!
As bochechas de Tessa coraram levemente quando ela piscou, estendendo a mão com um gesto tímido e respondendo num sussurro suave:
— Prazer em te conhecer também.
Mas, em vez de apertar a mão dela, Alex a puxou para um abraço apertado. Tessa ficou imóvel por um instante, surpresa, depois soltou uma risadinha suave e envolveu os bracinhos dele em retribuição.
— Ah… Que fofos! — Todos exclamaram ao mesmo tempo, com os rostos iluminados pela cena tocante do primeiro encontro entre irmãos.

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