O rosto de Karen se contorceu em incredulidade.
— E quem diabos é Alexander Thompson?
Ela ficou sem fôlego por um instante, como se o estômago tivesse levado um soco, e então virou-se de pronto para Thalassa, com os olhos cerrando-se enquanto a desconfiança crescia.
— Você tem um filho? — Sua voz transbordava descrença. — Como isso é possível? Você... Você perdeu a gravidez quando a Linda mandou aquele homem te atacar. Então, como diabos você tem um filho?
"E por que a mãe dela sabia disso, mas nunca lhe contou?"
Thalassa se levantou com calma, sustentando uma expressão serena, embora sua voz carregasse uma frieza cortante.
— Eu não te devo explicação nenhuma, Karen.
Karen soltou uma risada amarga, afiada como lâmina.
— Está errada. — Rebateu, num tom cortante. — Você me deve sim! Me deve uma explicação de como conseguiu colocar isso no testamento! Não tem como isso ter saído da cabeça da minha mãe em plena consciência! Eu sou a única filha dela… Portanto, eu merecia tudo!
Kris, que até então permanecia em silêncio, já estava esgotado com aquele discurso sem fim.
— A Tessa também ficou com metade de tudo, Karen.
Karen se virou num rompante, fuzilando-o com os olhos.
— E eu me recuso a aceitar isso! Não tem como minha mãe ter decidido dar metade dos bens para mais alguém!
Ela lançou um olhar carregado de desprezo para o advogado, com a voz gotejando veneno.
— Quanto ela te pagou para adulterar o testamento, hein?
O advogado se retesou na cadeira, com sua voz ficando ríspida ao responder:
— Não vou permitir que você insulte minha integridade. O testamento é legítimo, Srta. Blade, e recomendo que tenha mais cuidado com esse tipo de acusação.
Karen bufou com desprezo e voltou-se novamente para Thalassa, com cada palavra carregada de ódio:
— Claro que o advogado te defende. Por que não defenderia, não é?
O olhar de Thalassa permaneceu firme, e sua voz seguiu serena enquanto ela dava um passo à frente.
— O seu problema não é não ter recebido tudo. O seu problema é o fato de que eu, ou melhor, o meu filho, tenha recebido qualquer coisa. Porque tudo o que envolve a mim vira competição para você, Karen, mas a verdade é que não é sobre isso.
Karen riu com escárnio.
— Ah, não? Então sobre o que é, hein? Me diga, Thalassa. O que mais poderia ser?
Sua voz falhou, e as lágrimas que se acumulavam em seus olhos deixavam transparecer a dor mal contida.
— Você tirou tudo de mim: o amor da minha mãe, o homem que eu amava... E agora ainda acha que pode levar o que é meu por direito?
Em seguida, ela se virou bruscamente para o advogado, apontando o dedo mais uma vez.
— Eu vou recorrer contra esse testamento, e você pode se preparar, porque a acusação por falsificação vai ser inevitável. Anote minhas palavras.
O advogado soltou um suspiro exausto enquanto organizava os papéis e os colocava de volta na pasta.
— Você tem esse direito, Srta. Blade, mas vou te poupar do desgaste: esse testamento foi assinado, registrado e testemunhado. Você só vai desperdiçar seu tempo.
Ele então se voltou para Thalassa.
— Se não houver mais nada, vou me retirar.
Assim que o advogado saiu, Bridget, que havia permanecido em silêncio até então, finalmente falou, com os olhos fixos em Karen.
— Por que você não consegue simplesmente deixar isso para lá, Karen? Foi exatamente isso que sua mãe quis, então por que não consegue respeitar isso?
Karen girou a cabeça como se tivesse levado um tapa e explodiu, apontando para Bridget.
— Cala a boca, sua empregada imbecil! Agora acha que pode falar contra mim só porque minha mãe te deixou uma pensão ridícula?
Seus dentes rangiam quando ela avançou verbalmente.
— Já que resolveu ficar do lado da Thalassa, então vá com ela! Você está demitida... Saia da minha casa. Agora!
Bridget fechou os punhos, mas manteve a voz firme e controlada ao se levantar.
— Já chega! — Kris se colocou entre as duas, encarando Karen com dureza. — Onde está a Tessa? Eu preciso ver minha filha.
Antes que Karen pudesse responder, uma risada infantil cortou o ar, e todos se viraram ao mesmo tempo para a porta dos fundos, de onde Tessa surgiu correndo com Boatemaa logo atrás, tentando alcançá-la.
— Tessa! — Gritou Boatemaa. — Eu falei para você não correr!
Os olhos de Tessa brilharam ao ver Kris.
— Papai! — Ela gritou, correndo até ele.
Kris a ergueu com carinho, abraçando-a com força.
— Estava com tanta saudade de você, meu amor.
— Eu também, papai! — Respondeu Tessa, envolvendo o pescoço dele com os bracinhos. Ela então virou o rosto para Thalassa e sorriu, tímida.
— Oi, moça bonita.
Thalassa sorriu com doçura e respondeu com voz terna.
— Oi, Tessa.
Ele a colocou de volta no chão com cuidado e se virou para encarar Karen, agora com o semblante mais duro.
— Eu vou levar a Tessa comigo.
Karen congelou, cruzando os braços e bufando logo depois.
— Ela não vai a lugar nenhum com você. Se quiser vê-la, pode vir até aqui.
Kris soltou um suspiro carregado de tensão.
— Isso não tem nada a ver com seus joguinhos, Karen. É sobre protegê-la da...
Ele parou por um instante, engoliu em seco e continuou.
— ... Da minha mãe. Depois de tudo o que ela fez, eu não faço ideia do que mais ela seria capaz. Eu só quero garantir que a Tessa esteja segura, pelo menos até que a minha mãe seja presa. Deixe-me levá-la comigo.

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