O coração de Thalassa doeu quando ela olhou nos olhos marejados de Kris, vendo a culpa e o sofrimento gravados em cada linha do rosto dele, e o simples fato de vê-lo tão destruído era insuportável.
Sem hesitar, ela soltou o cinto de segurança, inclinou-se para ele e o envolveu com os braços, apertando-o contra si, como se o próprio abraço pudesse protegê-lo da tortura que ele mesmo se impunha.
— Não diga isso. — Sussurrou com fervor, com a voz trêmula de emoção. — Kris, nada disso foi culpa sua. Você fez o que acreditava ser o correto e sempre foi o melhor irmão que eles poderiam desejar. Sempre tentou agir de forma íntegra. É um dos homens mais admiráveis que eu já conheci.
Ela se afastou um pouco para encará-lo, com as mãos apertando-lhe os ombros.
— Não é culpa sua eles terem se tornado assim. Você não pode assumir a responsabilidade pelas escolhas deles. Cada um é responsável pelos próprios atos e você... — Suavizou o tom, mantendo o olhar firme. — Você é um bom homem, Kris.
Kris inclinou-se ligeiramente para encontrá-la com os olhos, procurando algo em sua expressão.
— Você realmente acha isso?
Thalassa assentiu sem hesitar.
— Claro que acho.
Com um suspiro trêmulo, Kris aproximou as mãos do rosto dela e roçou o polegar em sua bochecha, murmurando palavras quase inaudíveis:
— Obrigado…
Logo, a voz dele se quebrou com a emoção.
— Obrigado por me amar tanto apesar de tudo: apesar da dor, apesar de todo o sofrimento que começou quando você me conheceu…
Lágrimas brilharam nos olhos de Thalassa, mas ela ainda conseguiu sorrir.
— O passado não pode ser mudado, Kris. Tudo o que podemos fazer é focar no futuro.
Os olhos dele se encheram de admiração.
— Você é a mulher mais incrível que eu já conheci. — Disse, em um tom baixo e reverente.
Ele se inclinou, e os lábios tocaram os dela num beijo que transmitia um turbilhão de sentimentos intensos. Naquele beijo, Thalassa sentiu a promessa silenciosa de um amor eterno.
O beijo demorou, morno e tranquilo, e quando finalmente se separaram, Kris encostou a testa na dela.
— Eu nunca vou parar de te amar, Thalassa. — Sussurrou.
Ela sorriu, com a voz suave, mas firme.
— Espero que não.
De mãos dadas, eles deixaram o carro e avançaram em direção ao hospital, onde a sala de espera os recebeu num silêncio quase absoluto, quebrado apenas pelos murmúrios ao longe e pelo som intermitente dos aparelhos.
Luisa estava sentada no sofá, com o rosto pálido e as mãos entrelaçadas no colo, enquanto Alden permanecia ao lado dela, com o braço envolto em seus ombros, murmurando palavras de consolo.
Assim que avistou Thalassa, Luisa levantou-se depressa e correu para abraçá-la.
Luisa assentiu rapidamente.
— Eu vou com você, preciso sair um pouco.
Alden passou o braço pelos ombros dela, e os dois deixaram a sala.
Thalassa e Kris sentaram-se no sofá, e ela se recostou contra ele, com a cabeça apoiada no peito dele onde o ritmo constante das batidas do coração dele lhe trouxe um mínimo de paz em meio ao caos, enquanto o silêncio se instalava entre os dois.
Quando o celular de Kris vibrou no bolso, rompendo o momento, Thalassa se afastou um pouco para que ele pudesse atender; ele olhou para a tela, franzindo o cenho ao ver o identificador de chamada.
— É o meu advogado. — Disse, atendendo. — O que foi?
Houve uma pausa enquanto o advogado falava do outro lado, com o tom de voz urgente.
— Sr. Miller, tenho uma notícia que o senhor precisa saber.
O corpo de Kris enrijeceu, e o aperto no celular se firmou, já prevendo o pior.
— O que aconteceu? — Perguntou com cautela.
A resposta veio carregada de gravidade.
— A van que transportava sua mãe e outros prisioneiros para o presídio foi atacada na rodovia. Homens mascarados emboscaram o veículo, mataram o motorista e dois policiais. Um outro oficial ficou ferido, mas sobrevive e todos os presos a bordo desapareceram, inclusive sua mãe.

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