Assim que o turbilhão de prazer passou, Kris apoiou Thalassa de pé novamente, mas manteve a boca colada na dela, e o beijo, dessa vez calmo e apaixonado, tornou aquele instante depois do clímax ainda mais especial.
Ao se afastarem, Thalassa finalmente permitiu que o olhar explorasse a cobertura, livre da névoa que a paixão deixara. O espaço mostrava-se amplo, iluminado pela luz solar que entrava através de uma janela do chão ao teto com vista para a cidade.
No entanto, o mobiliário moderno não revelava personalidade alguma: apenas sofás de couro preto e uma mesa de centro cromada ocupavam o ambiente. E era só isso.
— Lugar bonito. — Comentou devagar.
Kris riu e a abraçou por trás, aninhando o rosto no pescoço dela.
— Acho que, resumindo, você está me dizendo que continuo zero à esquerda em decoração, mesmo tendo passado tantos anos.
Um riso escapou dela enquanto se recostava no peito dele.
— Isso também. — Provocou, erguendo o olhar para ele com um sorriso brincalhão. Mas, antes que pudesse se acomodar, Kris suspirou e apoiou a cabeça no ombro dela.
— Estou me sentindo todo suado e grudado, então vou tomar um banho rápido. Você quer se juntar a mim? — O tom dele soou convidativo, com um toque de malícia nos olhos.
Logo, os lábios de Thalassa se curvaram em um sorriso insinuante.
— Claro. — Ela segurou a mão dele quando ele começou a conduzi-la até o banheiro, mas parou de repente, fazendo Kris olhar para trás com uma expressão preocupada.
— Aconteceu alguma coisa?
Ela franziu o cenho enquanto o estudava de perto.
— Quando foi a última vez que você comeu, Kris?
Ele deu de ombros, minimizando a preocupação dela com um gesto casual.
— Esta manhã.
Thalassa estreitou os olhos.
— Kris…
Kris suspirou e admitiu:
— Tudo bem. Não comi nada desde que fui preso. A comida que ofereceram era… Digamos, pouco apetitosa. Além disso, eu estava com zero apetite.
O semblante dela se apagou, tomado pela tristeza.
— Isso é mais de um dia! — Abaixando-se para pegar a bolsa, ela puxou o celular de dentro e começou a digitar com rapidez, sem dar ouvidos aos protestos dele.
— Não é tão grave assim. — Murmurou Kris, embora um pequeno sorriso surgisse ao ver o cuidado dela.
— Para mim é sim. — Rebateu, mal erguendo os olhos enquanto finalizava o pedido. Ao colocar o celular sobre a mesa elegante, ela assentiu de forma firme. — Pedi comida chinesa. Deve chegar logo.
O coração de Kris se aqueceu um pouco diante da preocupação dela.
— Obrigado. — Murmurou, apertando-lhe a mão com delicadeza.
Depois de dividirem um banho breve e morno, Kris colocou uma calça confortável e Thalassa retomou a roupa que usara antes. Assim que a comida foi entregue, os dois se acomodaram à mesa de jantar, desembrulhando os pratos em meio a uma calma acolhedora.
Kris a acompanhou com o olhar enquanto ela servia a comida, e logo a lembrança de como tudo havia sido diferente poucos dias antes tomou sua mente, já que até então ela sequer aceitava sentar-se à mesma mesa que ele.
Nesse instante, Thalassa ergueu os olhos e encontrou o dele.
— Por que está me encarando assim?
A fala de Kris se desfez no meio e ele se calou, sufocado pela dor que lhe apertava o peito, de forma que o aperto em sua mão enfraqueceu e seus olhos baixaram.
Em resposta, Thalassa levou a outra mão e a repousou sobre a dele.
— Compartilho da sua ansiedade, porque também espero com entusiasmo o momento em que o Alex conhecerá a irmãzinha.
Diante do semblante confuso de Kris, Thalassa afirmou com convicção:
— Kris… Tessa é sua filha.
Kris engoliu em seco, tentando esboçar um sorriso, mas a sua voz saiu embargada.
— Eu sei… Queria nunca ter descoberto a verdade. No fundo, queria que fosse tudo só um pesadelo…
Ela apertou a mão dele, com a voz firme e ao mesmo tempo suave.
— Escute. A Tessa é sua filha, Kris. Você a ama menos depois de descobrir a verdade?
Os olhos dele se encheram de lágrimas, e a voz saiu quase num sussurro.
— Não… Eu a amo tanto que dói.
— Então ela é sua filha. — Insistiu Thalassa, com um tom inabalável. — Família não é definida por laços de sangue. No meu caso, por exemplo, a Rita jamais me adotou de forma oficial, mas sempre me amou como se eu fosse dela. Mesmo só tendo me conhecido na adolescência, ela me acolheu como família. E você fez o mesmo com a Tessa, porque esteve presente em todos os momentos. É o pai dela em tudo o que realmente conta.
Enquanto sustentava o olhar dela, um sorriso delicado se abriu em seu rosto, dissipando a tormenta de sentimentos refletida em seus olhos.
— Você realmente acredita nisso?
— Disso eu tenho plena certeza, e tenho certeza também de que a Tessa não gostaria que isso mudasse. Para ela, você é o pai.

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