Henry olhou para Karen com a mente em disparada, e ela retribuiu o olhar com os olhos suplicantes, o rosto distorcido pelo medo e pelo desespero.
Thalassa, por sua vez, aguardou pacientemente, com uma expressão calma e confiante, mostrando estar completamente no controle.
Diante da situação, os dentes de Henry rangeram, e ele cuspiu entre eles com ódio contido:
— Sua vadia!
Thalassa revirou os olhos, com a voz carregada de sarcasmo.
— Esse você já gastou, Henry, procure ser mais criativo quando tentar me ofender de novo. — Em seguida, cruzou os braços e manteve o olhar fixo no rosto machucado dele. — Agora se apresse e tome uma decisão.
Imóvel junto à cama, Karen manteve o olhar preso em Henry, confusa com a demora dele.
— Henry?
No entanto, ele a encarou com o maxilar cerrado.
— O quê? O que você quer que eu faça, Karen? Que eu simplesmente deixe o Kris sair impune depois do que ele fez comigo? — Então, apontou para o rosto coberto de hematomas, com a voz subindo em tom de raiva e frustração. — Eu mal consigo respirar, meu rosto está destruído, e você espera que eu simplesmente deixe isso passar?
Com os punhos cerrados junto ao corpo, as mãos de Karen tremeram visivelmente.
— Mas eles vão me colocar na prisão, Henry! Você ouviu o que ela disse... — A voz dela se quebrou, e os olhos, tomados pelo medo, refletiram o pânico com que o encarava. — Vou passar o resto da vida presa se você não...
A expressão de Henry vacilou, e um lampejo de conflito passou rapidamente pelo seu olhar.
No entanto, antes que Karen pudesse continuar, a voz de Thalassa cortou a tensão.
— Que decepção. — Seus dedos tamborilaram no celular em um ritmo constante. — Sempre imaginei que vocês dois tivessem esse amor inabalável, mas olhe bem para ele agora… — Em seguida, lançou um olhar zombeteiro para Henry. — Ele não consegue nem sacrificar o próprio orgulho pela amante.
Karen lançou um último olhar desesperado para Henry, mas ele permaneceu em silêncio, fazendo Thalassa suspirar e estreitar os olhos.
— Muito bem, Henry. Já que parece estar com dificuldades, vou lhe dar outro motivo para perceber por que seria uma péssima ideia prestar queixa contra o Kris. — Dito isso, deslizou pelos arquivos do celular enquanto Karen e Henry a observavam atentos e tensos.
Depois de alguns instantes, ela se aproximou da cama e estendeu o aparelho para Henry, que hesitou, mas acabou pegando-o, com os dedos tremendo levemente ao deslizar pela tela.
Logo, seus olhos se arregalaram, e o choque deu lugar ao horror



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