Por um instante, o mundo pareceu parar. Kris encarou Rita, sem compreender, e piscou algumas vezes enquanto processava aquelas palavras que simplesmente não faziam sentido.
— O que... O que está dizendo? — Sussurrou, com a voz quase inaudível, carregada de confusão.
Rita baixou o olhar, com a culpa estampada em seu rosto.
— Sinto muito, Kris. Mas a Tessa... Ela não é sua filha...
Kris continuou fitando-a por alguns segundos antes que uma risada curta, cheia de descrença, escapasse de seus lábios.
— De onde está tirando isso, Rita? Por que está dizendo essas coisas? — Questionou, com a voz tensa. — A Tessa é minha filha… A minha vida. Eu estive lá desde o dia em que nasceu.
— Eu sei. — Respondeu Rita, com os olhos marejados. — Mas... A verdade é que você não é o pai biológico da Tessa, Kris. A própria Karen me confessou.
— A Karen é uma maldita mentirosa! — Rosnou Kris, sacudindo a cabeça freneticamente. — Ela inventou isso só para me ferir.
Rita negou com a cabeça, e uma lágrima escorreu por sua face.
— Não. Na verdade, ela fez de tudo para manter o segredo, porque não queria que você soubesse.
Kris cambaleou para trás, sentindo o ar sumir dos pulmões como se tivesse levado um soco no estômago.
— Não... Não, isso não pode ser verdade. A Tessa é minha filha. Deve haver algum engano. As datas batem... Ela foi concebida na época em que fiquei bêbado e acordei na cama com a Karen.
O rosto de Rita empalideceu ainda mais à medida que novas revelações lhe vinham à mente, percebendo que o engano de Karen era ainda mais profundo do que imaginara.
— Kris, a Karen mantinha um relacionamento com... Outro homem naquela época. É bem possível que já estivesse grávida antes do que aconteceu entre vocês naquela noite... Se é que aconteceu de fato.
A expressão de Kris se retorceu em um turbilhão de emoções: confusão, incredulidade e raiva, mas, acima de tudo, dor… Uma dor tão sufocante que parecia arrancar-lhe o ar.
— Ela me enganou… — Rosnou, apertando a bolsa que carregava com as provas contra a própria mãe. — Disse que estava grávida e até ameaçou abortar se eu não me casasse com ela. Então ela me obrigou a casar, enquanto o tempo todo me enganava…
— Sim. — Confirmou Rita, com a voz embargada pela vergonha. — Sinto muito, Kris. Sinto tanto. Não há alegria alguma em lhe dizer isso, porque sei o quanto você adora a minha neta e sei também o quanto ela o adora. Me desculpe... Me desculpe mesmo.
Dois policiais passaram por eles escoltando um homem algemado, obrigando-os a interromper a conversa por alguns segundos.
— Henry. — Repetiu Kris, cuspindo o nome como uma punhalada de traição. Sua mente girava tentando montar o quebra-cabeça.
Henry sempre menosprezara Thalassa e sempre defendera Karen, e essa lembrança fez a raiva incandescente percorrer-lhe as veias, levando sua mão à cabeça enquanto o corpo inteiro era dominado pela dor.
"Como? Como pôde ser tão cego e ingênuo? Como não enxergou que justamente as pessoas mais próximas eram as que o traíam?"
A dor em seus olhos fez Rita estremecer, como se pudesse senti-la também. E hesitante, pousou a mão trêmula sobre o braço dele.
— Me perdoe, Kris. Tudo isso aconteceu porque falhei em criar minha filha do jeito certo. Lamento profundamente. Contei a verdade porque você merecia ouvir, e agora cabe a você decidir o que fazer. — Dizendo isso, ela se virou e correu até o carro, partindo em seguida.
Kris permaneceu ali, a respiração pesada, enquanto uma onda de emoções o engolia por inteiro: traição, luto, fúria.
— Ah... — Murmurou, levando a mão ao peito como se carregasse ali o peso de mil toneladas, mal conseguindo respirar.
"Tessa... Ele precisava ver a Tessa!"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Incrível Ex-Esposa do CEO Está de Volta!