Já haviam se passado algumas horas, mas Thalassa permanecia deitada, com olhos fixos no teto, sem sinal de sono. Após o jantar, Kris ainda se dedicou a brincar com Alex até vê-lo dormir, mas foi Betty quem, logo em seguida, tomou a responsabilidade, conduzindo o menino até a cama e mostrando o quarto a Kris.
A noite passara em uma estranha névoa, deixando-a com a sensação de ser uma estranha dentro da própria casa em que vivera por anos, já que, desde que chegara, não passara muito tempo com Alex, porque interromper o tempo dele com Kris sempre lhe parecia quase um crime.
Talvez fosse esse o motivo da insônia: a necessidade de estar perto do filho, ainda que ele já estivesse dormindo.
Então, com um suspiro, ela saiu da cama e seguiu até o quarto de Alex, abrindo a porta em silêncio, entrando devagar e parando de repente ao ver Kris agachado ao lado da pequena cama infantil, com a mão repousada sobre o cobertor enquanto o filho dormia em paz.
Ao ouvir o som da porta, ele se virou e seus olhos encontraram os dela.
— Desculpe. — Sussurrou Thalassa, quase inaudível. — Eu não sabia que você estava aqui.
Ela já se preparava para recuar quando Kris se levantou devagar, com o olhar suave, e disse em voz calma:
— Não há motivo para você sair. Venha.
Não havia nele a hostilidade que a tratara durante o dia inteiro, o que a surpreendeu, e, após hesitar por um instante, Thalassa se aproximou para ficar ao lado dele.
— Não conseguiu dormir? — Perguntou Kris em tom baixo, sem desviar os olhos de Alex.
Thalassa balançou a cabeça.
— Não. E você?
— Também não. — Murmurou ele. — Eu só… Não consegui parar de pensar nele, e tudo o que queria era vir aqui e observá-lo dormir.
Por vários instantes, ficaram lado a lado, olhando para o filho, enquanto o peito de Alex subia e descia de maneira ritmada, e o rostinho sereno permanecia intocado pelo mundo.
— Ele é tão lindo. — Murmurou Kris, quase num sopro. — Assim como você.
Thalassa soltou um breve riso incrédulo.
— Nós dois sabemos que ele é sua versão em miniatura.
Kris riu suavemente.
— Talvez. Quando olho para ele, é como encarar uma foto minha quando criança, mas ele tem o seu encanto, o seu sorriso, e é tão cheio de vida… Como você costumava ser, antes de eu… Antes de nós…
A garganta de Thalassa se fechou, e as lágrimas arderam em seus olhos.
— Desculpe. — Sussurrou, com a voz falhando. — Por tê-lo mantido longe de você por tanto tempo.
Kris balançou a cabeça, com a tristeza marcando-lhe os traços.
— Não, Thalassa. Você não precisa se desculpar. Se alguém tem que pedir perdão, sou eu. Eu disse tantas coisas mais cedo… Estava com raiva e magoado, e me recusei a entender o motivo de você ter escondido o Alex de mim.
Em seguida, ele se virou para ela, com os olhos cheios de arrependimento.
— Eu fui o homem que mais te feriu, mais do que qualquer outro. Permiti que todos se metessem entre nós, não te amei da forma como devia e deixei de estar ao seu lado. Por que você iria querer criar um filho comigo?
O coração de Thalassa se apertou ao ver a vulnerabilidade dele, o peso da culpa que transbordava.
Ele então pegou a mão dela, com a voz se partindo.
— Me desculpe, Thalassa. Por tudo. Nunca vou deixar de me arrepender por ter falhado com você. Sei que é difícil me perdoar, mas…

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