“Não tenho prova”, disse Paul. “Mas mesmo depois de eu ter te contado a verdade, por que não acredita em mim? Está com medo de que isso estrague as coisas entre você e o Wyatt?”
“De um lado, tem seu próprio irmão. Do outro, o homem que o Wyatt está protegendo. Tem medo de que, quando souber a verdade, vai se humilhar, não é?”
Ele sorriu com desdém, a voz carregada de zombaria. “Te acho mesmo uma covarde. A Elsie foi morta pelo Morgan. Depois, ele atraiu o Oscar para levar a culpa no lugar dele.”
“Mas, se usasse o cérebro por uma vez, perceberia... Morgan é um psicopata. Você realmente acha que ele é inteligente o bastante para apagar todas as evidências sozinho? O motivo de a polícia não ter encontrado um segundo suspeito é porque alguém poderoso está manipulando tudo nos bastidores.”
Yunice soltou uma risada fria. “Então o que está tentando dizer é que o Wyatt ajudou o Morgan, mas não a mim?”
Paul respondeu, com naturalidade: “Entendi... Você quer uma vida boa com o Wyatt. Depende dele, afinal. E claro, talvez ele tenha ajudado o Morgan a ficar livre, mas isso não quer dizer que não vá te ajudar. Quem sabe ele até mexa alguns pauzinhos e reduza alguns anos da pena do seu irmão. Deveria ser grata.”
“Vamos fingir que esta noite nunca aconteceu. Nunca disse que foi o Morgan, e você pode continuar fingindo que não sabe de nada. Volte para casa, faça o papel de casal perfeito com o Wyatt. Deixe seu irmão cumprir alguns anos na prisão... É um preço pequeno a pagar por uma vida inteira de segurança.”
Yunice nem sequer vacilou. Calma e composta, disse: “Entendo o seu joguinho desesperado, tentando criar intriga, mas deixou de fora um detalhe importante.”
“Elsie estava grávida. Isso significa que, além de você e do Morgan, havia outro homem na vida dela.”
O que significava que a acusação de Paul não se sustentava.
Ele ficou rígido por um segundo, provavelmente surpreso ao saber que Elsie tinha engravidado.
Mas então riu, um som nojento e repugnante.
“Esse é o seu motivo para descartar o Morgan?”, Paul zombou. “Não esperava por isso, né? A gravidez da Elsie? Foi obra minha.”
“Ela já tinha sido usada pelo Morgan... Eu não encostaria nela depois disso. Mas ainda estava com raiva. Então dei algumas coisinhas para ela tomar, trouxe sete ou oito mendigos, e deixei com que revezassem a noite inteira.”
“Hahaha! E quando ela acordou na manhã seguinte, realmente achou que fui eu quem dormiu com ela. Aquela vad*a imunda engravidou do filho de um mendigo. Uma pena que não chegou a ter a criança... Cara, adoraria ver o rosto dela quando descobrisse a verdade. Hahaha!”
Yunice franziu a testa. Ela não tinha imaginado que a realidade seria tão doentia.
Mas, pensando bem, tudo se encaixava. O comportamento de todos agora fazia sentido.
Ela se levantou. Já tinha conseguido as respostas que precisava. Não havia motivo para perder mais um segundo com Paul.
“Yunice”, ele chamou. “Ainda tenho uma prova concreta. Prova de que foi o Morgan quem matou a Elsie.”
“Mas, se quiser, tem algo que quero em troca.”
“Quero o seu creme para cicatrizes. Quando minhas cicatrizes sumirem, te entrego a prova. Você pode pegar, jogar tudo na internet, causar um escândalo, e aí nem o Wyatt vai conseguir manter seu irmão preso.”

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