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A Filha Invisível romance Capítulo 185

Naquela manhã, Yunice arrumou algumas comidas que havia preparado e saiu cedo da clínica, trancando tudo ao sair. Gill não perguntou para onde ela ia, nem a seguiu.

Yunice pegou o carro de Gill e dirigiu até um hospital psiquiátrico.

Aquele lugar não tinha nada a ver com o sanatório particular onde ela havia ficado antes. Aquele atendia aos ricos, este era um abrigo para refugiados com doenças mentais.

Era gratuito, o que dizia tudo sobre os recursos disponíveis.

Yunice desviava com cuidado das poças de fezes e urina espalhadas pelo chão enquanto passava pelos pacientes que estendiam os braços em sua direção, sentados ou caídos no chão alguns claramente instáveis, outros talvez apenas fingindo.

Por fim, ela chegou a um quartinho. Esse cômodo era bem mais limpo e confortável que os dormitórios superlotados do lado de fora. Estava claro e arrumado, com a luz do sol entrando pelas janelas.

Yunice tinha dado um dinheiro para os funcionários garantirem que continuasse assim.

“Vovó…”, chamou ela suavemente, com um tom caloroso.

A senhora sentada junto à janela virou a cabeça surpresa e estendeu os braços com ansiedade. “Lauren, faz tanto tempo! Venha cá, deixa eu tocar seu rosto…”

O nome dela era Melina. Sua pele ainda estava em boas condições, mas o cabelo havia embranquecido por completo, dando-lhe a aparência de alguém bem mais velha. Seus traços ainda guardavam um pouco da graça e suavidade que ela devia ter tido na juventude mas aqueles olhos pálidos, nublados e deformados a tornavam inquietante.

Yunice se aproximou e se inclinou para que Melina pudesse tocar seu rosto.

Os olhos cegos de Melina encaravam o vazio, enquanto seus dedos ásperos traçavam delicadamente os contornos do rosto de Yunice.

Então sua voz se tornou grave e preocupada. “Você emagreceu… Seu tio e sua tia não estão te alimentando de novo, estão?”

“Não”, disse Yunice com um sorriso, endireitando-se e abrindo o recipiente de comida. Sua voz era calma. “Agora sou adulta. Tenho um emprego. Meu tio e minha tia não mandam mais em mim.”

Melina soltou um suspiro de alívio ao aceitar a tigela que Yunice lhe entregou. “Lauren, você precisa ser alguém na vida. Um dia, tem que se vingar de verdade mas de verdade mesmo.”

Ela a olhou, abatida por seus próprios pensamentos, e se sentou devagar. “Vovó, estou prestes a ser promovida no trabalho. Vão me mandar para o exterior. O salário vai ser melhor, mas… se eu for, não vou mais ter tempo de te visitar.”

Melina levantou as sobrancelhas, radiante. “Uma promoção? Que maravilha! Você merece alcançar o topo!”

Yunice franziu levemente a testa. “Mas vou sentir sua falta. Vem comigo?”

Melina balançou a cabeça sem hesitar. “Não, não. Vou ficar bem aqui. Não vou sair daqui.”

Yunice já tinha feito essa pergunta muitas vezes antes. E a resposta era sempre a mesma.

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