Assim que ela se virou, Gabriel já estava empurrando a relutante Mel e disse:
— Cunhada, afinal de contas, o Lucas está deitado aí por sua causa. Você, linda e bondosa, com certeza vai cuidar bem dele, não é?
— Eu e essa garota já vamos.
Gabriel acenou e nem sequer deu a Mel a chance de falar.
A intenção dele estava estampada em seu rosto, não tinha como Julia não entender.
Ela acabou se sentando ao lado da cama e voltou a olhar para o homem nela.
Esquece, vou tratar como um agradecimento por ele ter salvado a minha vida.
Ela não queria dever favores a Lucas, para evitar problemas quando precisasse sair da vida dele.
O homem era uma obra de arte de Deus: testa perfeita, nariz reto e lábios finos.
Ninguém deixaria de se encantar por um rosto desses.
Julia esticou a mão e ajeitou a coberta do homem. Quando estava prestes a recuar a mão, o homem inconsciente a segurou.
Ela olhou, surpresa.
O homem estava de olhos semiabertos e voz rouca: — Julia...
Naquele instante, ele parecia ter muito a dizer.
Mas acabou sem falar nada.
A palma do homem estava quente. Julia não estava acostumada com aquela intimidade. Ela tentou puxar a mão, mas o homem, que voltou a adormecer, parecia uma criança teimosa e segurou ainda mais forte.
Julia parou de lutar.
Por que se importar com um paciente?
Ela observou o rosto de Lucas e lembrou de Clarinha, que esteve doente há alguns dias.
A genética era incrível. Quando Clarinha estava doente, tinha um temperamento parecido com o de Lucas.
Lucas acordou com dor.
O local do corte começou a latejar de dor. No fim, ele era de carne e osso.
O homem abriu os olhos, soltou um xingamento, virou a cabeça e viu uma silhueta familiar.
De repente, o machucado já não doía tanto.
Os cantos de seus lábios se curvaram de forma incontrolável.


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