Embora realmente meu pai tivesse morrido com um tiro na cabeça, tendo sido encontrado sem vida dentro de casa, enquanto minha mãe dormia a base de tantos medicamentos que sequer foi capaz de ouvir ou ver qualquer coisa, poucas pessoas sabiam daquela versão da história.
Conseguimos disseminar na imprensa que tinha sido um ataque cardíaco, provavelmente causado pelo excesso de trabalho. Ninguém se preocupava muito com a forma como ele tinha morrido e sim com quem herdaria tudo. Na época eu tinha 17 anos e estava ingressando na faculdade. Tinha conhecido Mônica há pouco tempo. A Clifford já era uma grande empresa, a maior do ramo no país. Mas foi eu que a deixei no patamar mundial.
Olívia, depois de alguns minutos, voltou para mim, com os cílios piscando rapidamente, a respiração acelerada e um sorriso triste:
- Sinto muito!
- Eu não. – Deixei claro.
- Não sente?
- Eu não tinha uma boa relação com ele. Meu pai não significava nada na minha vida. Para você ter noção, eu vi mais o meu motorista na vida do que meu pai e minha mãe.
- Então não o odiava?
- Não. E também não o amava. Nem ele, nem minha mãe.
- Você já amou, Gabe?
- Sim, eu já amei. – Afirmei, sem sombra de dúvidas – E nunca amarei de novo.
- Por quê?
- Amar dói... Destrói.
- Você não amou a pessoa certa então! Porque o amor... Não é ruim. Ele é a cura.
- O amor é a doença. E para ele não há cura.
Olívia alisou meu rosto com carinho:
- Aposto que ela foi ruim com você.
Num ímpeto tentei soltar Olívia, sentindo raiva de sua fala. Mas ela grudou-se ao meu corpo, desesperada.
A abracei com força e senti meu coração bater tão forte que certamente ela conseguiria ouvir e sentir. Porque quando me dei em conta de que poderia tê-la soltado, depois de prometer que não o faria, fiquei com raiva de mim mesmo. Nunca imaginei ter tanto autocontrole depois de alguém falar daquele jeito a respeito de Mônica.
- Eu nunca vou amar você, Olívia. Se espera isto de mim, esqueça.
- Me dê o que você consegue, Gabe! – ela falou de forma séria – Mesmo que seja seu ódio.
Definitivamente, eu não a odiava, por mais que quisesse.
- Por que a palavra suicídio mexeu tanto com você? – Questionei.
- Primeiro me responda uma última coisa... Quantos anos Jorel tinha quando tudo isto aconteceu?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I