- Eu costumo chamá-lo de Kaylan, porque este é o nome dele.
- De onde você tirou um cara com este nome? – estreitou os olhos, de forma tão incisiva que me fez fitá-lo de forma concentrada, não conseguindo desviar o foco.
- Do mesmo lugar que sua mãe tirou um Jor-El, pai de Kal-El.
- Ok, eu ajudo você. Em troca faz a prova para mim.
- Tá brincando! Claro que eu não vou no seu lugar fazer a prova. Vou ensiná-lo a programar, seu idiota.
- Eu não consigo.
- Vai conseguir. Não consegue porque não sou sua professora.
- E se você escuta o podcast “Alice no país dos prazeres”, por que não pergunta a ela como conquistar um adolescente?
- Porque é um programa para maiores de 18. E eu ainda não podia participar.
- Sabe que você não precisa comprovar a idade, não é mesmo? É tudo por telefone... Voz.
- Eu estaria burlando as regras.
- Você é estranha, aprendiz de adolescente. Mas entendo... Até porque o programa do podcast “Alice no país dos prazeres” é sexual e não sensual. E para conquistar um garoto de uns 18, como imagino que seja o seu, precisa ser “sensual”.
- Eu não acho que seja totalmente sexual. – Contestei, incerta.
- Ok, episódio 121: Os sete erros dele na cama:
Não beijar
Pular as preliminares
Não gemer
Não lavar bem o pau
Não depilar
Achar que está num filme pornô
Achar que acabou só porque já gozou.
Fiquei encarando-o antes de começar a gargalhar. Eu ri até chorar. Jorel Clifford era ouvinte do podcast “Alice no país dos prazeres”. Fiel ouvinte!
- Qual o problema? – ele perguntou de forma séria – Vou te listar os sete erros das mulheres na cama.
- Hum, estou curiosa. Vamos ver o que “eu não devo fazer” quando estiver na cama com Kaylan... – Provoquei.
- Então... 1. Ficar calada... Nenhum homem gosta de transar com uma muda. 2. Falta de atitude. Odeio mulher que fica feito uma boneca inflável esperando pelo homem. 3. Fazer comparações. O seu pau é grande! O seu pau é magnífico, o do Fulano era do tamanho de uma salsicha... E torto. Cara, estou me fodendo para os paus que ela já provou. 4. Fingir que gozou. E acredite, mulheres são especialistas nisto. E sinceramente, jamais entenderei o motivo. Estou ali para fazê-las gozarem... Mas se fingirem, é impossível eu conseguir. Qual a porra do medo de levar uma hora até que consiga chegar ao clímax?
- Tem mais? – Perguntei de forma séria, já pensando em fazer um podcast com Jorel Clifford para homens.
- O 5. Não tocar no pau. O meu pau é a parte mais erógena do corpo. É o clitóris masculino. Toque meu pau, baby... E verá o paraíso.
- Deus que me livre!
- Estou brincando, aprendiz de adolescente - deixou claro – Não foi para você. 6. Chamar pelo nome do ex. Quem acredita que não é proposital? Eu não! Quem faz isto quer chamar a atenção. Eu já fui João, Pedro, Carlos... E fingi que não ouvi.
- E o 7?
- Não seguir as dicas de Jorel Clifford. – Piscou.
- Adorei o papo sexual, senhor Garoto do Podcast. Mas agora precisamos descer. Ou Olívia e Gabe me botarão de castigo.
- O beijo – ele disse – O beijo é alma do negócio. Você pode conquistar um homem com um simples beijo.
- Já foi conquistado com um simples beijo?
- Eu não sou um homem padrão.
- Não beija?
- Eu beijo... Beijo muito bem. Sou um expert.
- Como em tudo que faz, não é mesmo? – Não contive o sarcasmo.
- Sim, claro!
- E já foi conquistado com um beijo?
- Isa, entenda de uma vez: eu não me apaixono. Isto nunca acontecerá comigo.
Suspirei:
- Você não encontrou a mulher certa, Jorel. Eu também pensava assim... Até que conheci Kay. – Temi que saíssem corações dos meus olhos ao pensar nele.
- Você tem que olhar nos olhos dele, assim... – pegou meu queixo e me obrigou a encará-lo, fazendo com que eu conseguisse me ver dentro da cor âmbar de suas íris.
Senti um frio percorrer meu estômago quando Jorel se aproximou:
- Não pode rir...
- Eu não farei isto. – Garanti, tentando me conter.
- Já falou com ele alguma vez? – perguntou, com meu rosto ainda em seu poder.
- Sim... Uma amiga marcou um encontro – confessei, minha voz mal saindo enquanto o encarava, confusa.
- E ele foi? Já deram um grande passo! Se beijaram, então?
- Não.
- Mas... Por que não?
- Ele chegou e disse “Imagina se eu não tivesse vindo”... E eu respondi “Eu chamaria outro”. Então... Ele... Foi embora. – Meus olhos não desviam dos seus lábios, grossos, a barba por fazer me mostrando o quanto ele era diferente de Kay, que sequer tinha barba e sim uma penugem crescendo no queixo, que ele fazia questão de não raspar.
- Você foi... Uma garota bem má. – Ele riu, enquanto eu dava um passo para trás, me escorando na parede. – Não foi nada sedutora.
- Fui sincera.
- Não pode ser. Diga o que ele quer ouvir.
- Estaria sendo mentirosa.
- Ele gosta.
- Gosta? – Quando Jorel se aproximou, minha voz virou um nada.
O empurrei contra a parede, mudando nossas posições e pus meus cabelos para trás. Peguei seus ombros e desci levemente a alça do meu vestido, observando seus olhos descerem para o meu colo, tentando decifrar o que tinha por baixo. Toquei seus lábios com meu dedo e lambi os meus, sentindo o gosto do gloss de tutti frutti, que eu adorava. Jorel abriu levemente os lábios e eu disse, de forma provocante:
- Acho que sei seduzir, querido professor! Passei no teste? – Passei a língua novamente pelos lábios.

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