- Assim eu não fico com medo! – confessou enquanto me enlaçava com força.
- Eu não a deixaria se afogar, Chuchu! – Fui sincero – Se fosse preciso, morreria, mas a deixaria viva.
Eu disse mesmo aquilo? E caralho, não foi da boca para fora. Falei porque saiu do fundo do meu coração. E não tenho certeza se eu a manteria viva porque gostava de Olívia ou porque sabia que no passado fui responsável, mesmo que de forma indireta, pela morte de Mônica.
- Não se o meu pai estivesse vendo! – ela sorriu, desconfiada.
- Pensando bem – dei alguns passos para o fundo – Acho que vou jogá-la para lá.
- Morreremos nós dois, porque eu não o soltaria em hipótese alguma. – Afirmou. E eu não tinha dúvidas de que se ela disse que me levaria junto, o faria.
- Relaxa, Chuchu. – Sorri e dei um beijo no seu ombro, abaixando um pouco o corpo e fazendo com que afundasse um pouco mais, a segurando com firmeza.
- E os médicos não conseguiram curar a sua mãe? O seu pai que montou uma indústria de medicamentos? Foi por causa dela?
- Hum, são muitas perguntas! – retirei as mãos dela do meu corpo, deixando que segurasse com ainda mais força as pernas na minha cintura. Abri seus braços e deixei que sua cabeça deitasse sobre a água, enquanto ela se dava conta de que conseguia boiar.
O sorriso que recebi em troca foi como uma bola de fogo atingindo o gelo, derretendo tão rápido que sequer deu tempo para ver de onde veio.
- Meu pai já tinha uma indústria de medicamentos – expliquei com tranquilidade, sem me preocupar com o que Olívia pensaria, me livrando de todos os fantasmas do passado, mesmo não entendendo porque me senti tão seguro de falar aquilo com ela – Era um negócio pequeno, que ele já trazia do pai, que começou com o avô. Minha mãe sempre teve acesso a tudo... Os melhores médicos, todos os tipos de tratamentos possíveis. Ainda assim nada a fazia se curar.
- Por que acha que isto acontecia?
- Sinceramente? Acho que ela não queria ficar boa. Gostava de viver naquele mundo onde tudo era perfeito, embora não fosse de verdade. Com o tempo, não satisfeita com os medicamentos receitados, passou a usar outros por conta própria.
- E virou uma viciada em medicamentos?
- Mais ou menos isto.
- Ela era carinhosa com vocês?
- Não.
- Como ela morreu?
- Logo depois do meu pai. Levou um ano de diferença entre um e outro.
- Resposta errada – ela seguiu com a cabeça na água, os braços para cima, de forma tranquila e parecendo sentir-se segura – Perguntei “como”.
- Falência hepática.
- Certamente por conta dos medicamentos. – Constatou.

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