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A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I romance Capítulo 76

Foi quando senti uma mão na minha perna. Meu coração acelerou e fiquei imóvel, feito uma estátua. Os dedos deslizaram pela minha meia calça, indo em direção à minha parte mais íntima. Imediatamente fechei-as e olhei para Gabe, que mantinha suas duas mãos sobre a mesa, gesticulando com Rarith.

Levantei-me num impulso, fazendo com que a cadeira caísse no chão, todos os olhos voltando-se para mim.

- Eu... Preciso ir ao banheiro. – Saí correndo dali.

Por sorte eu já sabia o caminho, mesmo que fosse do toalete mais distante. Assim que entrei no cômodo, fechei a porta e senti as lágrimas descendo pelas minhas bochechas.

Que homem nojento! Só pelo fato de os olhos dele estarem passeando pelo meu corpo eu já me sentia suja.

Olhei-me no espelho e limpei as lágrimas.

Por que, Gabe? Por que você contou para todo mundo? Por que odeia tanto assim a minha família? Agora eu entendo o motivo pelo qual não quer assumir para todos que sou sua esposa. Tem vergonha do meu passado. Ou simplesmente sabe que jamais seremos realmente um casal de verdade.

E por que constatar aquilo me doía tanto?

Ouvi uma batida na porta e a abri, deparando-me com ele. O semblante parecia de preocupação, mas eu sabia que no fundo Gabe pouco se importava.

- O que aconteceu? Está sentindo alguma coisa?

- Pode me levar embora? Eu... Não me sinto bem.

- Claro, vamos!

Nos despedimos e logo estávamos no carro, com Gabe dirigindo de volta para a mansão.

- O que sente? – ele voltou a perguntar.

- Raiva. – O olhei de soslaio.

Gabe ficou quieto. E me perguntei se ele sabia que Rowan havia feito o que fez. Mas não fazia sentido ele aceitar que o cunhado traísse a irmã. O pouco que eu conhecia Gabe me deixava claro o quanto era ciumento e possessivo e eu duvidava que fosse só com relação a mim.

- Raiva de quê? – ele quis saber depois de um tempo.

- Rarith... Sempre foi... A sua sobrinha?

- Se sente enganada, Olívia? Por isto está com raiva?

- Sim ou não?

- Eu tenho uma sobrinha chamada Rarith. – Foi sua frase seca, não fazendo questão de me dizer que não havia porra nenhuma de amante, como eu tanto queria ouvir.

Fizemos o trajeto em silêncio. E era raro eu ficar quieta, mas minha cabeça estava cheia de pensamentos que me doíam muito.

POV GABE

O silêncio dela era como uma bomba relógio prestes a explodir... Dentro de mim. Eu queria perguntar mil coisas, mas não conseguia. As palavras morriam nos meus lábios.

Olívia dona de si e segura me assustava um pouco. Mas Olívia calada e parecendo triste me assustava ainda mais.

Quando parei o carro em frente à mansão Clifford esperei por alguma reação normal de minha esposa, como me convidar para dormir com ela ou algo do tipo. Mas Chuchu simplesmente saiu e me deixou no carro, totalmente atordoado.

Eu poderia ficar ali. Era a minha casa. Mas vê-la andando com tanta fragilidade em direção à porta me deixou totalmente desamparado. Por que porra eu me preocupava com ela? Comeu algo que não fez bem? Não comeu o suficiente? Falei algo que a magoou? Mas tudo que eu falava era magoá-la e ainda assim ela nunca parecia se preocupar, como se fossem palavras jogadas ao vento e tivesse certeza absoluta de que eu seria incapaz de atingi-la de verdade.

E eu era incapaz de atingi-la? Tive vontade de correr até lá e pegá-la no colo, subir seu corpo junto do meu pelas escadas e pô-la na cama e dizer que tudo ficaria bem. E que no dia seguinte eu diria a todo mundo na Clifford que ela era a minha esposa e inclusive mandaria fazer uma nota no jornal. E ainda faríamos uma foto de verdade para ela pôr na lareira.

Mas então lembrei do gosto amargo de minhas lágrimas enquanto via o corpo de Mônica sem vida no carro, junto do meu, sabendo que meu filho também estava morto. Me odiei por um tempo, por estar lá, ao volante quando tudo aconteceu. E por este motivo tinha me convencido de que não merecia refazer minha vida com outra mulher, já que eu tinha matado minha Mônica.

Se eu tivesse conhecido Olívia em outras circunstâncias teria sido tudo diferente. Mas por dez anos tudo que eu fiz foi ver a foto do pai dela em todos os lugares e odiá-lo mais do que qualquer outra coisa no mundo.

Enquanto dirigia liguei para Rael:

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