Eu proporia que primeiro brincássemos de pega-pega naquele lugar onde não havia perigo algum de se machucar. Mas antes que pudesse dar minha ideia, Rarith já estava pegando as peças e jogando no chão.
- Eu gosto de montar castelos.
- Acho que sou boa nisto. – Falei, incerta.
Deitei-me no chão, de bruços, e comecei a ajudá-la a montar o castelo.
- Tem bonecas para serem as princesas? – Perguntei.
- Sim. Tenho muitas bonecas.
A porta se abriu e Gabe escorou-se, nos observando.
- Quer brincar, tio Gabe? – Ela perguntou.
- Venha, Gabe... Eu monto e você encaixa. – Pisquei.
Gabe imediatamente ficou com as bochechas ruborizadas. E aquilo foi tão, mas tão fofo, que eu quase levantei dali e pulei no seu colo, enchendo-o de beijos. Claro que junto da minha alegria tinha também o fato de Rarith, minha rival, ter quatro anos. E eu não me importava nenhum pouquinho de ela ficar com toda a fortuna do meu marido, no testamento. E nem que ganhasse brinquedos incríveis que a secretária dele mandasse diretamente para o seu endereço.
Gabe sentou-se ao lado da menina, cruzando as pernas. Retirei os sapatos dele e joguei para fora da sala, deixando-o descalço, como nós.
Ficamos em torno de uns trinta minutos ali, brincando com Rarith, que conquistou meu coração nos primeiros cinco que a conheci. Os restantes ela já passou a morar dentro dele, como se eu a conhecesse desde que nasceu.
Enquanto montávamos o castelo, vez ou outra ela vinha até mim e alisava meus cabelos. Ganhei até beijos e me senti feliz, porque não lembrava a última vez que tinha ganhado beijos tão sinceros.
- Você não vai levantar nunca mais daí? – Gabe perguntou.
- Eu vou – sentei-me como eles, no chão emborrachado – Só estava um pouco cansada – confessei – E precisava deitar.
- Pelo visto minha funcionária não vai aguentar o trabalho muito tempo.
- Sim, vou aguentar. Mas estou totalmente fora da minha rotina de antes de... – olhei para Rarith – Começar a ser sua amiga. Então... Algumas coisas tem sido difíceis. Fazia tempo que eu não me cansava tanto. Mas sinto que meu corpo precisa voltar a fazer tudo que eu fazia, para que se fortaleça. A doença tem alguns sintomas que nem sempre consigo controlar.
- Se alimentou entre os turnos?
Não, eu não tinha me alimentado entre os turnos, porque incrivelmente estava bem ocupada. Mas o almoço tinha sido bom e cheio de calorias positivas então consegui me manter bem até o horário de saída.
- Sim. – Menti.
- Quando irá para a academia?
- Amanhã eu começo, na parte dos funcionários. Não acho justo como sua “amiga” eu ter privilégios, entende?
- Olívia, não...
- Sim. E não discutiremos isto – fui enfática – Olha só, consegui montar a porta do castelo sozinha! – vibrei.
- Você é boa no lego. – Rarith sorriu e me abraçou.
- Sou boa em muitas coisas... E sei montar muito bem, garotinha! – apertei seu nariz, fazendo-a gargalhar, com os cabelinhos loiros caindo para trás, junto do laço de fitas.
- O jantar será servido em breve. – A governanta veio avisar.
Nos levantamos e estávamos indo em direção à sala de jantar quando senti vontade de urinar.
- Onde fica o toalete?
- O toalete mais próximo é ali – Rarith apontou para a porta logo depois da sala de legos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I