O jantar não foi o que eu esperava, já que imaginei que estávamos nos entendendo. Mas poderia ter sido pior. Ao menos Gabe fez uma refeição junto comigo, pela primeira vez em três meses.
Quando Gabe saiu da cozinha, fui atrás dele, incerta do que faríamos e “se” faríamos algo juntos. Ele olhou para o quadro que pendurei na lareira, a montagem de nós dois num casamento e ordenou:
- Retire isto daqui!
- Não posso.
- Por que não pode?
- Porque esta casa é totalmente impessoal. Nossa foto é o que dá a certeza de que existem pessoas morando aqui.
- Olhe para o corpo deste homem! Ele não parece comigo.
- A mulher também tem mais peitos e bunda do que eu – sorri – Mas sinceramente, minha colagem ficou melhor que as obras de arte que você tem por aí.
- Pensando bem, eu gostaria de ter casado com uma mulher de corpo escultural como esta. Deve ser boa de cama... E não machucar no oral. – Provocou e de certa forma magoou.
- E eu deveria ter casado com Jorel... No entanto acabei com você. E – Levantei os ombros – Infelizmente foi o que o destino reservou para nós.
Gabe me fuzilou com o olhar. Achou que me humilharia e eu ficaria quieta? Realmente a minha primeira intenção foi casar com o irmão dele. E eu não tinha culpa se Gabe foi quem apareceu no altar no lugar de Jorel. Quanto à mulher da foto... Ele poderia ter procurado uma exatamente como ela, já que tinha todo o dinheiro do mundo para fazer o que quisesse. No entanto aquela página de revista era de um casamento real. E eu duvidava que a noiva trocaria aquele homem de quase dois metros de altura, com olhar cheio de amor, por meu Gabe.
Olhei para a mão dele e vi que ainda usava a aliança que lhe dei na noite anterior. Não contive um sorriso de felicidade.
- Retire a foto! – Ordenou novamente.
- Sim, retiro. Quando tivermos uma de verdade para substituir. Caso contrário, esta ficará aqui.
- A casa é minha.
- Teoricamente sim, na prática não. Eu moro aqui. Se retirar a foto, amanhã eu colocarei outra. E depois de amanhã outra... Eu não tenho nada mais interessante para fazer durante o dia do que procurar fotos de revistas e colar as nossas cabeças nelas.
- Você discute feito criança mimada.
- E você como um homem apaixonado. – Sorri.
- Louca!
- Estou feliz.
- Feliz? Por que está feliz? Ama viver nesta casa sem fazer nada o dia inteiro esperando pelo dia que matarei o seu pai?
- Esta parte me magoa, Gabe. Mas acredito que voltará atrás na sua decisão, mais cedo ou mais tarde.
- Jamais, Olívia. Só descansarei quando seu pai estiver morto.
- Estou feliz porque você está usando a aliança que lhe dei...
Gabe olhou para o dedo e retirou a aliança, indo até a lareira e colocando-a sobre ela, ao lado do quadro que eu havia feito.
- Eu estava bêbado demais para recusar-me a colocá-la. E até bem pouco tempo atrás ainda estava tentando curar a ressaca, o que não me fez olhar para o dedo. Não me sinto casado com você, Olívia. Jamais a teria escolhido para minha esposa se não fosse para destruir o seu pai.
Suspirei, não me dando ao luxo de ser atingida pelas palavras dele, que certamente não era o que pensava de fato.
- Quero conhecer a sua família. – Avisei.
Gabe começou a rir e em poucos minutos estava gargalhando. Se ele soubesse o quanto ficava lindo quando ria faria aquilo mais vezes. Me alegrava fazê-lo sorrir de alguma forma, já que se não fosse por mim, ninguém se preocuparia em diverti-lo ou tentar fazer com que Gabe levasse a vida de forma mais leve.
- Não! – Ficou sério em segundos.

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