Quando entrei na propriedade de Aneliese e o carro estacionou na frente da porta principal da mansão térrea de paredes creme e janelas brancas, minha irmã já me esperava.
O lugar era rodeado por árvores, muita natureza, jardins e um playground de madeira gigantesco sob a sombra de uma figueira.
Um carro de bebê com uma boneca dentro estava ao lado da porta, deixando claro o quanto seria complicado ter um filho, já que significava muita coisa fora do lugar.
Aneliese me deu um beijo na bochecha e me convidou a entrar:
- Problemas no paraíso, Gabe Clifford?
- Por que acha isto?
- Nunca na vida o vi deste jeito – analisou-me dos pés à cabeça – Foi assaltado?
- De certa forma sim... Quase levaram o coração que não tenho. – Sorri, sem jeito.
Aneliese gargalhou e foi me conduzindo em direção ao jardim de inverno, que praticamente fazia com que tivéssemos que atravessar toda a casa. Chegamos junto da bandeja de café com biscoitos que a empregada trazia.
- Você precisa disto! – ela me alcançou a xícara do líquido escuro fumegante, que eu não tomei mais desde que minha esposa me ofereceu um com sal no lugar do açúcar.
Bebi todo o café sem falar nada, enquanto ela me analisava. Depois de um tempo perguntei:
- Onde está a minha princesa?
- Na escola.
- Como você é má!
- Não sou má. Ela precisa gastar energia e conviver com crianças de sua idade.
- E o seu marido?
- Ele trabalha, caso não lembre. Se tivesse lhe vendido algumas ações na Clifford, poderia vê-lo e se certificar de que estava bem, perto de você.
- Ela está me enlouquecendo, Aneliese.
- Ela quem?
- A minha esposa.
- A que você escolheu para Jorel?
- Ela mesma.
Aneliese riu:
- Você veio aqui me dizer que sua “esposa” que está deixando-o deste jeito?
Assenti, abaixando a cabeça. Eu precisava falar com alguém e não poderia ser com Rael, porque ele gostava de Olívia e certamente ficaria do lado dela, me chamando de filho da puta.
- Eu sou um filho da puta! – Me ouvi dizendo.
- Por que, Gabe?
- Você não acreditaria no estado que ela ficou, Aneliese... – Abaixei a cabeça até a mesa, batendo-a contra o vidro, atordoado ao lembrar do corpo de Olívia sobre a cama.
- Gabe... – minha irmã pegou meu rosto entre suas mãos delicadas e gentis – O que você fez? – seus lábios tremeram.
- Eu dormi com ela.
Aneliese arqueou a sobrancelha, confusa:
- Isto... Talvez não seja... Ruim.
- Machuquei ela, Aneliese.
Ela alisou minha bochecha:
- Machucou o coração dela... Isto?
- O corpo.
- Meu Deus, Gabe... Você bateu nela?
- Eu mordi... Eu... Apertei... Toquei com força... Violência...
- Você a... Mordeu? – Ficou incrédula.

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