- Eu conto... Se você disser que quer saber porque se preocupa comigo. – Cruzei os braços, tentando fazê-lo entender que não adiantava ser um menino mau comigo.
- Eu “não” me preocupo com você, porra!
- Mas foi me ver na faculdade... E... Ficou comigo no hospital quando eu tive a crise de hipoglicemia.
- Eu faria isto até pela minha secretária, Olívia. Você não é importante para mim, entendeu? E nunca será.
Dei de ombros. Ele tinha mais era que se foder. E me ver foder com outros.
- Eu vendi o seu relógio. – Falei vitoriosa.
Gabe arqueou a sobrancelha:
- Qual relógio?
- Que diferença faz? Você tem vários. E aposto que tem outros na sua casa de verdade.
- Qual... Relógio? – Ele pegou meu pulso com força, me machucando, os olhos azuis feito duas tochas que me queimariam viva.
- O de marca... Patek Phillippe... Por que... O Rolex... Não valia... Tanto.
- Não, Olívia... Você não fez isto! – ele disse, entredentes.
- É só um relógio. Você tem tantos outros. Era a vida do meu pai que estava em risco. Ameaçaram a minha irmã! Eu pedi dinheiro para Rael e ele não me emprestou. E você jamais me daria.
- Ah, claro! – ele se afastou alguns passos, com o olhar vago – O que sobrou deu para contratar uns garotos de programa... – riu – E de quebra ainda pagou a faculdade.
- Eu prometo que nunca mais negociarei com agiotas.
- Pois quero que negocie com eles, Olívia... – riu – Quero que se envolva com estes filhos da puta... E morra, como seu pai! – ele não alterou a voz. Pelo contrário, falou tão tranquilamente que me deu até medo.
- Desculpe, Gabe.
- Não era só mais um relógio, Olívia! Era o presente que “ela” me deu... O que eu tinha de mais importante na vida.
Engoli em seco. Pelo visto Rarith era rica. Ou ganhava bastante dinheiro do meu marido. Ah, foda-se! Fiquei feliz em ter vendido o relógio que a amante lhe deu.
- Eu... Creio que Rarith possa lhe dar outro! – Tentei.
- Rarith? – ele riu, com escárnio, passando os dedos nos cabelos, nervoso – Não ganhei o relógio de Rarith, Olívia. Quem me deu aquele relógio foi a única mulher que amei na vida. E não... Ela jamais me dará outro.
De tudo que ele falou eu só ouvi uma frase: “a única mulher que amei na vida”.
Então Rarith não era a única? Meu marido tinha outra amante? Ou a única que ele amou não o queria e o deixou? Seria ela casada? Ou gostava de outra pessoa? Mas quem, em sã consciência, escolheria o outro quando Gabe Clifford era uma das opções?
Seria só eu a louca que o escolheria em qualquer situação, independente de quem estivesse na lista?
A dor era visível nos olhos de Gabe, de uma forma que nunca vi antes... De uma forma que jamais eu o faria sentir.
Para Gabe Clifford eu não passava de um brinquedinho sem graça. Talvez o divertisse de alguma forma e deixasse seus dias menos entediante. Mas no fim, tudo que ele queria era me usar contra meu pai. Gabe jamais teria sentimentos por mim... Como o que tinha pela garota que lhe deu o relógio. Todo mundo vinha antes de mim para ele... Até mesmo Rarith.
Aquele jogo estava ficando perigoso demais. E não era porque eu tinha medo do que Gabe pudesse fazer comigo... Mas porque naquela brincadeira eu havia esquecido de fechar o meu coração, como sempre fiz. E aquele homem estava ocupando um pequeno espaço dentro de mim... E talvez não fosse só por conta dos seus belos olhos azuis ou a forma como sua boca se movia quando dizia “não”.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I