Desci pelo elevador particular e quando cheguei no carro falei ao meu motorista:
- Me leve até a faculdade de minha esposa. E seja rápido... Bem rápido!
- Mas... Onde é a faculdade, senhor Clifford?
- Você não fala com o motorista dela, porra? - gritei – A partir de agora vocês estarão conectados, entendeu? Quero que esteja a par de todos os lugares onde ele leva minha esposa para caso precise, saber exatamente onde encontrá-la, em qualquer situação.
- Sim, senhor Clifford. Farei isto.
Claro que eu sabia que a reunião que deixei para trás era bem importante. Mas Chuchu estava mais uma vez precisando de mim. Aliás, Chuchu precisava de mim o tempo todo, embora parecesse totalmente independente. Me passou pela cabeça que estivesse fingindo, fazendo algo para me levar até ela. E então eu ficaria furioso e a esganaria. Ainda assim já teria perdido uma das reuniões mais importantes da semana. Enfim, só saberia o que realmente tinha acontecido se a visse.
Assim que cheguei na faculdade, fui levado para a enfermaria. O lugar era bem amplo e arejado, parecendo quase uma emergência de hospital e imaginei que fosse daquela forma porque ali era um lugar onde se faziam todos os cursos universitários na área de saúde.
Chuchu estava sentada numa cama, com as pernas para fora, os pés sobre um elevado com degraus em metal. Os calçados estavam no chão.
Assim que me viu ela revirou os olhos, em forma de descontentamento:
- Não acredito que chamaram você!
Pelo visto Chuchu ainda estava brava comigo por conta do que havia acontecido com o pai.
- E quem chamariam? Sou seu marido!
- Já estou bem - levantou os braços, movimentando-os com rapidez e agilidade e depois fez o mesmo com as pernas – Avisei que não precisavam chamar ninguém.
Mas ela estava pálida... Mais do que o normal, já que Chuchu era sempre pálida e a aparência frágil talvez fosse por conta da doença.
- Não se alimentou direito? – perguntei – Ingeriu muito açúcar? Ou será que bebeu café com sal? – Não contive o leve sorriso que surgiu nos meus lábios, de forma espontânea.
- Está tudo bem, Gabe... Foi só um desmaio.
- Um desmaio? Você desmaia sempre? Talvez seja importante eu saber sobre isto, já que sou o seu marido.
- Você é meu marido só no papel, esqueceu? – me provocou – Então não precisa saber nada sobre mim, já que nunca está ao meu lado quando preciso.
- Não me importa o que você pensa sobre mim, Olívia. Quero saber porque desmaiou.
Ela bufou, furiosa, e me olhou:
- Ok, vou contar a verdade. Isto é um pouco... Constrangedor. Sente-se aqui – pôs a mão sobre o colchão, ao seu lado – Mas suas roupas ficam aí.
Ainda demorei alguns segundos para entender o que ela quis dizer com aquilo. Estreitei os olhos, encarando-a, incerto se Chuchu tinha algum distúrbio sexual... Talvez fosse uma hipersexual ou ninfomaníaca.
- Estou brincando, Gabe! – ela sorriu e pegou minha mão, fazendo com que eu me aproximasse – Mas... Se quiser tirar a roupa, eu não me importo!
Retirei a mão da dela e não era por medo de Chuchu querer tirar a minha roupa a força... Mas pelo que o simples toque dela me provocou: arrepios por todo o corpo.
O que faltava para eu fodê-la ali mesmo? Era tudo que minha esposa queria: meu pau na sua boca ou boceta. E caralho, era tudo que eu queria! Não podia mais negar para mim mesmo que a queria... Sexualmente, é claro.
Mas dar o prazer que Chuchu queria não seria algo prudente. Eu sabia que tinha uma linha muito tênue entre sexo e sentimento. E tornar a minha vingança algo prazeroso para ela seria como dar um tiro no meu próprio pé.
Chuchu era jovem, bonita, quente e cheia de vida... Um convite ao prazer e à diversão. E eu com idade suficiente para saber que de nada valia jogar fora dez anos de uma vingança planejada por uma boceta.
- Desmaiei porque vi sangue. – Ela disse, me pegando de surpresa, como se nunca tivesse pedido para que eu tirasse as minhas roupas e sentasse ao seu lado na enfermaria da faculdade segundos antes.

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