Virei as costas e deparei-me com Rose. Passei por ela, fingindo não a ver. Eu não lhe devia explicações da minha vida, principalmente agora que sequer morava em sua casa. Quando quisesse saber notícias de meu pai perguntaria ao próprio hospital.
- Vai simplesmente virar as costas e nos deixar aqui? – Ela perguntou.
- Quer que eu faça o quê? – A encarei.
- Precisamos de dinheiro. Este hospital é horrível.
- Papai parece estar sendo bem atendido. O que mais de aparelhos poderiam colocar nele que não está utilizando aqui? – Minha voz embargou.
- Mal temos dinheiro para pagar esta espelunca, Olívia! Você precisa providenciar um lugar decente para o seu pai.
- Eu... Vou tentar.
- Não pode “tentar”. Precisa “fazer”.
- Como você soube o que aconteceu?
- Me ligaram do hospital. Quando cheguei ele já estava neste estado.
- Como sabe que bateram nele?
- Foi socorrido depois de ter apanhado covardemente de vários homens. O chutaram, socaram... O tornozelo direito está quebrado. Perdeu dois dentes. Há ferimentos internos também. Quebraram o nariz dele. – A voz dela mal saiu e percebi os olhos lacrimejarem.
- Teve testemunhas do que aconteceu? Chamaram a polícia?
- Acha que estou preocupada com isto, Olívia? Deixo esta parte da vingança para você. Tudo que quero é o meu marido vivo... E bem.
Suspirei, tentando fingir que não foi Gabe que fez aquilo, embora tudo indicasse que sim. Poderia ter sido pela piscina, pelo jardineiro, pelo café com sal, pela festa, por eu ter nascido!
Mas se Gabe achava que eu tinha medo dele, eu provaria que não.
Mas antes de tudo precisava ouvir da sua boca que havia sido tão covarde a tal ponto... E que eu realmente não significava nada para ele.
Fiz duas ligações antes de me dirigir para a matriz da Clifford, na capital de Noriah Norte. E qual minha surpresa quando não consegui passar do primeiro andar, porque alguém decidiu que eu não era esposa de Gabe e eu não tinha nada para provar. Teria que sair de casa com a certidão de casamento para que todos soubessem que eu tinha sim uma ligação com o dono da porra daquela empresa.
Escorei-me no balcão da recepção, sendo impedida de seguir adiante. Eu estava cansada. E já fazia quatro horas desde que eu tinha comido pela última vez.
- Senhora Clifford, está tudo bem? – Ouvi a voz do meu motorista.
- Não, não está – fui sincera – Estou cansada, com fome, preciso de dinheiro... E ninguém acredita que Gabe é meu marido.

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