POV OLÍVIA
Assim que cheguei em casa, vi Gabe sentado na frente da lareira, no chão. Estranhei, pois nunca o tinha visto daquele jeito, vestido de forma tão displicente, de camiseta, bermuda e descalço. Olhava para o nada que existia dentro do espaço da lareira.
- Gabe? Está tudo bem? – Perguntei, preocupada.
Ele sorriu, de forma triste, os lábios mal se movendo, daquele jeito que fazia antes de nos tornarmos íntimos. Estendeu a mão na minha direção e sentei-me ao seu lado no chão, tentando encontrar o que tanto lhe interessava dentro da lareira... Nada.
Seus dedos acariciaram os meus e ele disse, com a voz fraca:
- Eu a amo... E só amarei você a minha vida inteira.
Senti meu coração acelerar e apertei a mão dentre entre meus dedos:
- É recíproco este sentimento, Gabe. Sabe que meu coração só b**e por você... E será assim para sempre.
- Eu fui enganado, chuchu... Por tantos anos... – Meneou a cabeça e os lábios estremeceram, como se tivesse contendo um choro que estava por vir.
O abracei e Gabe aconchegou a cabeça no meu peito.
- Quem o enganou, Gabe?
- Chuchu, eu fiz uma coisa...
- Que coisa? – Me preocupei.
- Eu... Fui fazer uma vasectomia!
Fiquei com a mão no ar, sem conseguir encostar nos seus cabelos, como estava fazendo antes. Como assim?
- Por... Quê? – Minha voz mal saiu – Você... Não quer um filho meu?
Gabe levantou a cabeça do meu peito e me encarou:
- Não, eu não quero um filho com você... Não se ele oferecer qualquer risco a sua saúde. Porque a amo mais do que tudo na vida... A ponto de não saber sobreviver sem você, chuchu.
Eu cheguei a ficar incerta se aquilo era ruim... Ou simplesmente a coisa mais linda que já ouvi na vida. Suspirei, lembrando que planejei a minha vida desde sempre sem pensar em filhos. Então não era hora de reclamar com Gabe indo contra o que eu sempre preservei: minha saúde e vida.
- Me desculpe por um dia ter sequer cogitado fazer um filho em você... A fim de me vingar do seu pai, chuchu... Por favor, me perdoe...
- Eu já perdoei, Gabe! – Garanti.
- Eu fui fazer a vasectomia e o médico sugeriu que eu guardasse uma amostra de sêmen, o congelamento servindo como forma de preservar minha fertilidade e... Haver uma chance de termos um filho caso eu mudasse de ideia futuramente, o que achei que não aconteceria, visto que sua diabetes é uma doença incurável.
- E então... Você congelou? Porque... Eu não me importo em não termos um filho biológico, Gabe. A única coisa que temia é... Você não querer um filho meu. Mas se tomou esta decisão por conta da minha saúde... Eu... Acho que o amo ainda mais, se é que é possível. – Sorri.
- Chuchu, para o congelamento são feitas algumas análises do sêmen...
- E...
- Dentre elas o espermograma, que permite avaliar a qualidade do sêmen e identificar problemas de fertilidade. Este exame analisa a concentração, a motilidade e a morfologia dos espermatozoides.
Engoli em seco:
- Seu espermograma... Deu problemas?
- A contagem de espermatozoides deu baixa... Menos de 3 milhões por ml.
- Baixa? – ri, confusa – Três milhões de espermatozoides numa gozada e acha isto ruim? Qual é o normal, então?
- Quinze milhões.
- Quinze milhões? Está me dizendo que quinze milhões de espermatozoides correm em busca do óvulo?

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