- Eu... Não preciso fazer isto.
- Precisar não precisa. – sorri – Mas sabe que se não o fizer, terá consequências.
- Se eu pedir desculpas... O senhor poderia não seguir adiante com o processo?
Eu ri, com sarcasmo. Será que depois de tantos anos Ingrid ainda não me conhecia? Ou achava que o fato de eu ter me apaixonado por Olívia havia amolecido meu coração com relação a todos ao meu redor?
- O processo seguirá, senhorita Ferrari. Quem decidirá o veredito é o juiz.
- E desde quando... O senhor aceita o que o juiz define? – A voz soou fraca.
- Pelo menos me conhece um pouco – sorri – Imaginei que pudesse ter aprendido algo neste tempo que esteve me servindo e recebendo muito bem para isto. Peça desculpas... E não transferirei para o seu filho a raiva que sinto de você.
Ela engoliu em seco e deu um passo para trás. Virei as costas, apertei o botão do elevador e assim que a porta se abriu, entrei e avisei:
- Eu tenho um coração, senhorita Ferrari. Mas ele só b**e por quem merece, o que não é o seu caso! Pense bem no que lhe pedi... Não quero que ninguém se machuque! – Pisquei e apertei o botão para fechar a porta.
Na manhã seguinte recebi a visita de Aneliese na Clifford novamente:
- Você não entende que aqui é meu trabalho? – Perguntei de forma séria assim que ela sentou-se à minha frente, com a mesa nos separando.
- Sim, eu sei – sorriu – Mas vim dar um beijo em Jorel e decidi vir vê-lo também.
Respirei fundo:
- Jorel também está trabalhando. E ele já não dá conta do trabalho num dia normal... Imagine recebendo visitas. Vamos separar as coisas. O que acha?
Aneliese riu:
- Não tenho tempo para separar as coisas, Gabe. Minha vida é um relógio, tic-tac, tic-tac.
- Não... Você disse que o tratamento deu certo.
- Por hora, Gabe. Não há garantias de que o tumor se estabilizará e não crescerá mais.
- Mas...
Ela pegou minha mão de forma carinhosa:
- Tempo é uma palavra que tem outro sentido para mim atualmente. E por isto... Vim aqui hoje.
- Para me torturar? Acha eu vou ficar como depois de me dizer isto?
- Vou morar com Jai.
Soltei a mão dela e levantei, confuso:
- Como assim? Há quanto tempo vocês se conheceram?
- Poderia ser pior... Tipo casar com ele tendo o visto uma vez na vida, como foi com você e Olívia.
- Mas... Quais as garantias que você tem de que ele vale a pena?
- Nenhuma! – ela riu – Mas meu coração b**e mais forte por Jai... E como ele nunca b**eu deste jeito para nenhuma outra pessoa, decidi que o tempo que me resta será ao lado dele... E de minha filha... E meus irmãos.
- E Rowan? Terei que mandar matá-lo?
- Rowan que se ferre! Tem noção que ele destruiu o emprego de Jai?
- Todos os meus advogados estão em processo de tratativas deste divórcio, Ane.
- Sairei de casa, Gabe. E levarei minha filha comigo.
- Como assim? Está pensando em fugir?
Ela abaixou a cabeça, sem me responder.
- Não pode fazer isto! Perderia toda a razão... E a guarda de Rarith.
- Há lugares onde Rowan nunca me encontraria, Gabe.
- E se encontrar?
- Eu nunca lhe pedi nada... Nunca!
- Ane... Você disse “morar” com Jai...
- Mas não disse o lugar – ela sorriu – Não será em Noriah Norte.
- Que porra, Ane!
- Sabe que a briga pela guarda de Rarith demorará.
- Tenho os melhores advogados e você sabe disto!
- E eu não tenho tempo.
- Caralho!
Ela veio até mim e me abraçou com força:
- Só preciso que me apoie... Você e Jorel.
- Eu... Eu...
- Você não é tão politicamente correto assim, Gabe!
- Não, não sou!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I