- Ah, chuchu... Onde você esteve a minha vida toda?
- Por aí... No útero da minha mãe... Depois sobrevivendo a um acidente e outro, tentando manter minha integridade física num mundo de luxúria e perversão... Até você aparecer.
Gabe pegou o acendedor da lareira que estava sobre as madeiras empilhadas milimetricamente ao lado e pegou a foto, ateando fogo. Vi a imagem virar cinza em segundos, o mesmo sendo feito depois com o exame de gravidez. Ficamos olhando para o centro da lareira até que a fumaça se dissipasse completamente.
- Se sente melhor? – Perguntei.
- Incrivelmente sim... Enfim me libertei do passado! – Limpou as lágrimas.
- Gabe...
- Fale, chuchu.
- Eu... – abaixei a cabeça, hesitante – Acho que meu pai não é tão inocente nesta história.
- Me diga que... Ligar seu pai a Rowan nos leva a crer que...
Assenti, sem dizer com palavras. Era impossível não fazer a ligação de meu pai, a concessionária Abertton e o possível encontro entre ele e Rowan.
- Isabelle pode nos ajudar. – Falei.
- Como?
- Ela... É boa em entrar em sistemas de computadores.
- E no que isto pode nos levar?
- Precisamos encontrar alguma ligação entre Mônica, Rowan e meu pai...
Gabe me puxou para si, abrindo minhas pernas e fazendo-me sentar em seu colo, no chão. Pôs a cabeça entre meu pescoço e senti sua respiração morna e leve na minha pele.
- Não agora.
- Não?
- Tudo que eu preciso agora é do meu remédio...
- Qual remédio?
- Você! Fica comigo... Me deixe sentir o seu cheiro e ouvir o seu coração... Eu não quero mais nada.
Alisei seus cabelos e expliquei:
- Está sentindo o meu coração, Gabe Clifford?
- Cada batida... – A voz suave dita ao pé do ouvido fez com que eu me arrepiasse.
- Todas são para você!
Era meu último dia de trabalho na escola. Eu ainda não tinha certeza do que fazer, mas não queria ficar ali sem Jai, depois de tudo que havia acontecido.
Gabe sugeriu que eu voltasse para a Clifford, mas daquele lugar eu só gostava da academia e do sofá da sala do CEO, onde dava para fazer um bom sexo de quatro.
Poderia gerenciar o restaurante com o qual Gabe me presenteou, não fosse os tantos problemas que ainda me assombravam com relação ao meu pai.
Quando o motorista abriu a porta para eu entrar no carro, senti uma mão me segurando. Olhei para trás e vi Ingrid. Não pude deixar de olhar para sua barriga, que deixava perceptível a gravidez.
- Eu... Lhe devo desculpas. – Ela disse.
O motorista me olhou:
- Devo ligar para o senhor Clifford?
- Está tudo bem, Aragon! Só... Me dê cinco minutos. É o suficiente. – Pisquei.
Aragon se afastou um pouco e ficou nos observando de longe. A função dele era simplesmente me levar para qualquer lugar que eu desejasse, mas vez ou outra eu achava que ele se sentia o meu segurança, embora não fosse. E aquilo me deixava feliz, porque eu sabia de aquele homem se preocupava comigo.
Encarei Ingrid:
- Sim, me deve desculpas – olhei no relógio – Como pedi ao meu motorista cinco minutos, fique falando este tempo sobre como sente muito, o quanto você é vagabunda e burra, sobre quais seus planos quando for sentenciada pela justiça a pagar por ter dado a ordem de despejo sem consentimento de Gabe... Contando que quase um minuto já passou... E você ainda tem quatro, destes três quero que fique dizendo “Desculpe, senhora Clifford”, de forma repetida, sem pausas...
- Eu não menti sobre gostar de Gabe.
- Senhor Clifford, caralho! Ele jamais lhe deu esta intimidade. Até a forma como você o tocou foi através de uma mentira... Da qual você se aproveitou até o último minuto.
- Acha mesmo que eu tive esta ideia sozinha, senhora Clifford?
A olhei, confusa:
- Foi uma ideia tão idiota... Que não pode ter vindo de duas cabeças pensantes. Então sim, creio que seja sua e de mais ninguém.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I