Eu batia a ponta dos dedos sobre a mesa do médico, nervoso. Era como se precisasse fazer aquilo imediatamente ou Olívia morreria. Nunca vi tanta necessidade de fazer algo na vida para salvar alguém.
O médico, o qual eu já conhecia anteriormente por consultas de rotina, olhou meu prontuário atentamente antes de dizer:
- Por que quer fazer uma vasectomia, senhor Clifford?
- Porque não quero ter filhos. – Foi minha resposta óbvia, que saiu cortante e gélida.
- Perfeito, você não quer filhos hoje. Mas e se daqui a 15 anos você mudar de ideia? Ou pior: e se amanhã você sofrer um acidente e perder os testículos?
- Ficarei grato pela minha má sorte. – Fui sincero – Quanto ao fato de eu poder mudar de ideia... Isto não acontecerá. Tenho certeza de minha decisão.
- E ao menos pensou na possibilidade de congelar seu esperma antes de fazer a vasectomia?
- Não, não pensei nisto. Realmente não quero ter filhos. – Garanti mais uma vez, incerto se o médico tinha problemas de compreensão - Doutor, não preciso de um cofre de esperma. – Sorri, com ironia.
- Tenho dados concretos que afirmam que 27% dos homens que fizeram vasectomia antes dos 35 sem guardar esperma tentaram reverter depois. Dos que não conseguiram reverter, mais da metade entrou em depressão profunda.
- Não farei parte dos dados, doutor.
- Mas o senhor é casado! Já conversou com sua esposa a respeito? Ela concorda com sua decisão?
- O pênis é meu. Portanto a decisão também é minha.
- Neste caso, discordo. A senhora Clifford não deseja ter filhos?
- Acredite, estou fazendo isto para o bem dela. Olívia tem diabetes tipo 1. E acabei de vir do médico dela e ele me explicou tudo que pode acontecer caso ela engravide. Não estou disposto a perder minha esposa, doutor.
Ele respirou fundo, ainda me encarando e depois recostou-se para trás na cadeira:
- Não estou pedindo pra você ter filhos, senhor Clifford. Estou oferecendo o direito de mudar de ideia. São 15 minutos e N$ 300 por ano pra garantir que, se um dia você acordar e pensar “porra, quero ser pai”, não precise chorar no meu consultório dizendo “doutor, me ajuda”.
O olhei, pensativo. Ok, eu não queria ter filhos. E a possibilidade de Olívia se curar da diabetes era zero. No entanto, caso chuchu desejasse muito ter um filho futuramente e soubesse que eu não poderia lhe dar e tomei a decisão sem comunicá-la, ficaria uma fera. E eu a conhecia o suficiente para saber que me faria pagar... E se decidisse ter um filho de outro?
Caralho, era uma tomada de decisão difícil! Eu faria aquilo para o bem dela. Mas... Havia a possibilidade de talvez uma barriga de aluguel, o que facilitaria a situação e deixaria Olívia fora de perigo.
- Senhor Clifford, dinheiro não compra reversão quando seus canais atrofiam. E é isto que acontecerá conforme o tempo for passando.
- E se eu nunca usar?
- Daqui a 20 anos, vendemos por N$ 1 milhão para pesquisa. Até o diabo faz seguros, senhor Clifford.
O encarei, respirando fundo, ainda indeciso. Mas já estava quase me convencendo, pois não me custaria nada bater uma, botar num potinho e deixar congelado para o futuro, o qual ninguém podia prever.
- Você pode ser o primeiro homem na história que nunca muda de ideia. Mas não descarte a possibilidade de futuramente ter que pagar N$ 50 mil por uma fertilização in vitro com esperma de um doador e explicar pro seu filho porque ele não tem seu DNA.
Caralho, juro que cheguei a visualizar Jorel sendo o doador!
- Onde eu assino?
Eu não esperava, mas passei horas na clínica. Fiz exames de sangue e por fim fui colocado numa sala com um frasco esterilizado e revistas com mulheres nuas.
Abri a revista e me flagrei rindo sozinho. Se eu não estivesse fazendo algo escondido de chuchu, certamente ligaria para ela e em minutos jorraria meu esperma no frasco. Mas ligar estava fora de cogitação. Peguei meu celular para ver uma foto dela e rolei a galeria, me dando conta que eu não tinha uma única foto sequer da mulher que eu amava. Caralho, por quê?
Por que não mandei imprimir as fotos do casamento? Ah, sim, talvez por ela estar usando um vestido roxo horrível que faria qualquer homem no mundo broxar... Menos eu, porque era ela.
Joguei o celular na poltrona que estava ao lado, abri o zíper e fechei os olhos. Aquilo bastava para Olívia se materializar na minha frente, totalmente nua... Fazendo com que em segundos meu pau tomasse vida.
Comecei os movimentos de vai e vem, enquanto a via de quatro, com a cabeça virada para trás, sorrindo de forma provocante, pedindo que a fodesse. Nos últimos tempos chuchu queria que eu a comesse de todas as formas... Boceta e cu. E descobri coisas que eu gostava de fazer que nem imaginava, como beijar cada parte em que eu gozava nela.
Tudo que tinha naquela sala branca era eu, meu pau, Olívia na minha mente e o som dos meus dedos. Não demorou para o sêmen jorrar no frasco.
Suspirei e olhei para meus futuros filhos ou filhas. E se eles significavam a morte de minha esposa, que ficassem congelados. Entreguei-os ainda mornos e deixei agendada a vasectomia, que segundo o médico era um procedimento tranquilo e de recuperação rápida.

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