Estreitei os olhos, confuso sobre onde ela queria chegar.
- Eu acabei sendo rápida no banheiro e quando retornei, vi Rowan e Mônica com as mãos entrelaçadas... Ele falava algo no ouvido dela... E ela ria. Estavam de forma bem íntima, Gabe.
Eu ri, atordoado:
- Você está louca!
- A vida inteira eu tentei pensar que foi coisa da minha cabeça...
- E realmente foi.
- Não, não foi.
- Rowan deve ter pego a mão dela à força.
- Eu... Também acho. – Aneliese abaixou a cabeça – Ou achava... Porque agora não consigo mais ver desta forma. Não parecia nada forçado... Mônica parecia bem a vontade do jeito que ele estava ao seu lado e da forma como a tocava.
Abri a porta e mostrei a saída à Aneliese:
- Só porque sua vida está fodida quer fazer o mesmo com a minha?
- Sua vida não está mais fodida... Você está bem, de uma forma que nunca antes esteve. E por muito tempo eu segurei as coisas dentro de mim, por medo de ser julgada, de ser recriminada. Hoje entendo que não tenho culpa... As pessoas que são culpadas... Todas elas. Eu não odiava Mônica. Simplesmente não gostava dela... Por causa do que vi.
- Vá embora, Aneliese.
Sentei-me na minha cadeira e fiquei olhando para o nada. Mônica me veio à mente, com seu sorriso divertido, a forma sexy como se vestia, os desejos de viagens e planos para o futuro que fizemos e nunca concretizamos. E caralho, lembrar que ela tinha morrido levado um bebê meu doeu novamente.
Por que Aneliese do nada queria manchar a imagem de Mônica? O que ganhava com aquilo? Queria que eu odiasse ainda mais Rowan? Será que não entendia que eu já o odiava o bastante? Ele tinha mexido com chuchu, lhe dito coisas horríveis e ainda a tocado! O filho da puta merecia morrer.
Teria Rowan também tentado algo com Mônica?
Deitei a testa na ponta da mesa de vidro, atordoado. E quando fechei os olhos vi Olívia, com aquele rosto de boneca de porcelana, os olhos amendoados cor de mel sob cílios que pareciam artificiais de tão cheios e escuros. Escondia uma determinação que me irritava e atraía na mesma medida. Os lábios, rosados e levemente assimétricos, eram perfeitos demais para alguém que deveria ser insignificante. E o cabelo... castanho-escuro, sempre solto por conta da cicatriz na nuca, que ela tentava esconder.
Mas era a pele que me perturbava... Alva, morna, delicada. E quando sorria? O sorriso de chuchu era simplesmente a coisa mais linda do mundo. E as gargalhadas irônicas, provocantes, capazes de mexer com cada célula do meu ser?
O corpo... magro, mas não frágil. Curvas sutis sob os vestidos coloridos, especialmente as cores roxas e laranja, que eu odiava e que ela insistia em usar, como se quisesse me provar que era a única mulher que ficava bem em qualquer cor ou modelo de roupa.
Detestei-a no instante em que a vi. Detestei mais ainda quando percebi que não conseguia parar de olhar.
Se perder Mônica, que eu não sentia nem um terço do que sentia por Olívia doeu, o que eu faria se acontecesse qualquer coisa com chuchu? A vida simplesmente não teria mais sentido algum. O amor que eu sentia por Olívia era o que me movia. Sua alegria era o que me fazia sorrir. Saber que ela existia era o que me dava forças para viver.
Peguei meu celular e entrei no carro, pedindo ao motorista:
- Me leve até a clínica onde Olívia fez os exames.
Assim que cheguei no lugar, consegui fazer com que o médico que a atendeu me recebesse.
- Senhor Clifford... É um prazer tê-lo aqui na clínica!
- Eu soube que minha esposa não tem problemas quanto à fertilidade.
- Realmente não tem. Olívia pode lhe dar filhos, embora talvez demore mais para engravidar do que uma pessoa que não tem diabetes tipo 1.

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