POV GABE
Não sei se algum dia eu já tinha chamado alguém para um encontro. E mesmo que o tenha feito (e esquecido, óbvio), tenho certeza de que nunca me senti tão nervoso quanto naquele momento.
Não sei se ela atrasou propositalmente para me maltratar ou porque... Meus pensamentos morreram no exato momento em que a vi no restaurante.
Ela entrou como quem não quisesse chamar atenção, mas o ar parou. Até os garçons pausaram. O vestido roxo sussurrava sedução, mas seu rosto, com uma maquiagem leve dizia "não me subestime".
O vestido era puro impacto: um roxo-violeta que mudava de tom sob a luz dos lustres. Justo nos ombros, com duas pequenas aberturas no tecido que deixavam a pele à mostra, contrastando com o tecido que se moldava ao seu corpo como uma segunda pele. Chuchu não sabia ser menos que impactante. Os detalhes matavam: a cintura marcada por um cinto fino de prata, puxando o olhar para a curva dos seus quadris. A barra assimétrica, revelando um flash de perna a cada passo. O decote nas costas, discreto até ela se virar, para que o seu xale fosse retirado, aí, sim, um murro no estômago de quem olhava.
Sentado à mesa, engasguei com o gole de whisky enquanto ela vinha na minha direção.
- Chuchu? – levantei-me para recebê-la, antes de lembrar que aquela mulher era tudo, menos insípida, inodora e insignificante.
- Decidi usar roxo, sua cor preferida. – Sorriu, de forma provocante, fazendo um frio percorrer minha espinha parando no meu pau, que tomava vida própria quando a via.
O garçom lhe puxou a cadeira e minha esposa sentou-se de forma tranquila, o aroma fresco e leve de seu body splash vindo na minha direção, provando-me novamente que o termo “inodora” nunca fez parte daquela mulher e que seu até seu cheiro deixava marcas inesquecíveis.
- Por que não quis voltar para casa e virmos juntos? – Perguntei.
- Eu queria ficar linda para você!
Engoli em seco:
- Você é a criatura mais linda do mundo, chuchu... E a única mulher que consegue ficar bem... Usando roxo. – Confessei.
- Hoje eu não quero conversar sobre nada a não ser nós, Gabe. E pode dizer a noite toda que me ama e não vive sem mim e coisas do tipo – sorriu, chamando o garçom com o dedo e pedindo uma água – Porque estou preparada para ouvir! – Piscou e sorriu de uma forma sedutora.
Minha garota tinha se transformado numa mulher. E caralho, que mulher! Não sei se era impressão minha, mas achei que ela havia amadurecido também. Ou simplesmente parou de agir como uma sobrevivente, revidando cada ataque meu.
Iniciamos falando sobre banalidades e quando a comida chegou já estávamos nos nossos gostos exóticos e coisas que nunca havíamos revelado a ninguém sobre sexo. Jamais na vida imaginei-me rindo num restaurante e desejando que o tempo não passasse para aquele momento nunca acabar.
Olívia não questionou o motivo pelo qual só havia nós dois ali e talvez tenha entendido que eu não queria dividi-la naquela noite, tampouco expô-la ao olhar de qualquer outra pessoa a não ser o meu. E não, eu sequer imaginava que ela estaria daquele jeito: sexy, sedutora e maravilhosa.
A entrada foi um Tartare de Salmão com Abacate e Wasabi, servido em colher de madrepérola, com flores comestíveis. O prato principal, sugestão do chef, foi um Filé Mignon com Purê de Couve-Flor e Trufas, acompanhado de aspargos grelhados com azeite de trufa.
Quando o garçom serviu a sobremesa, Olívia o observou colocar o creme brulée a sua frente em silêncio. Hesitou, me perguntando:
- Sem açúcar?

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