Olívia pegou meu dedo e pôs na boca, sugando-o o máximo que pôde, fazendo com que meu pau latejasse dentro da calça. Caralho, eu ainda tinha o restante da surpresa para a noite.
- Gostei do sabor das folhas de ouro. – Mencionou, provocante.
- Não quer saber sobre o cardápio 100% adaptado para diabéticos, chuchu?
- Sim. – Assentiu, feito uma criança que não sabia do que brincar primeiro.
- Gostou do restaurante?
- É... Incrível. E tem ótimas opções para diabéticos.
- Você não viu o menu, chuchu, já que os pratos foram preparados especificamente para você. Este restaurante só serve pratos dietéticos... E adapta os pratos tradicionais mais requintados em pratos com baixo índice glicêmico.
- Você... Está por trás disto? – Perguntou, desconfiada.
- Este é o seu presente de aniversário de 21 anos, chuchu. Criei este restaurante para você.
Ela olhou para os lados, parecendo confusa. Depois me encarou:
- Mas... É... Um restaurante, Gabe!
- Não gostou?
- Falta... Três semanas para o meu aniversário. E... Isto é muito caro, Gabe.
Eu não contive o riso:
- Chuchu, os anéis que você leva nos dedos equivalem ao valor de 10 restaurantes destes. O restaurante é seu... Já comprei e está no seu nome. Pode administrá-lo, doá-lo, fazer o que quiser com ele... Mas é seu. E não há possibilidade de devolução.
Olívia me abraçou e deitou a cabeça no meu ombro, dizendo próximo ao meu ouvido, com a voz suave:
- Levo cicatrizes no corpo, Gabe... Mas o que você fez por mim hoje cicatrizou a minha mente... E o meu coração, para sempre.
- Entenda que jamais alguém a amará como eu a amo, chuchu.
- Sabe que a cada vez que me feri, enquanto doía, para amenizar, eu imaginava que um dia seria retribuída e todo sofrimento seria transformado em amor e coisas boas. As cicatrizes estão aqui para provar que eu venci... E você é a prova que ganhei o meu amor... E as coisas boas.
Pus seus cabelos para o lado e toquei a cicatriz que ela tinha na nuca. E então confessei:
- Vivi praticamente toda a vida lucrando com a doença de milhões de pessoas... Mas nunca fui capaz de curar a minha própria dor. Então você apareceu... E me provou que o remédio era o amor... O amor da mulher a qual eu tentei ferir de todas as maneiras possíveis.
- Sempre gostei de você do jeitinho que é, Gabe Clifford! No entanto, se quiser me contar sobre o seu passado, estou preparada para ouvir... Desde que ouça o meu... E não tornemos isto uma competição para premiar quem sofreu mais e sim definir quem venceu e chegou ao pódio, por ter superado.
Não imaginei que a noite pudesse terminar daquele jeito: Olívia sentada no meu colo, deitada no meu ombro, num restaurante gigantesco, ouvindo sobre o meu passado. E depois, ambos comendo creme brullé, discutindo o dela.
E foi assim que descobri que chuchu era muito mais forte do que eu pensava. E eu, muito mais frágil do que imaginava. E nunca acreditei em destino, mas cheguei a pensar que foi obra dele tornar possível o encontro de duas almas quebradas e totalmente diferentes, que no fim se transformaram em uma.
Quando estávamos saindo do restaurante, vimos a fila que havia no estabelecimento da frente, um refinado recanto de um chef francês. Era o tipo de lugar que só atendia com agendamento de até um mês de antecedência. E então flagramos dois rostos conhecidos passando pelas pessoas que aguardavam uma chance de entrar, passando direto pela porta principal.
Olívia me olhou:
- Por acaso... Acha que era Rael?
- Sim... Acompanhado de sua irmã. – Confirmei.
- Devemos... Cumprimentá-los? – Perguntou, hesitante e ansiosa.
- Claro que não, chuchu. Não iremos intervir neste relacionamento, ok?

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