Olívia fez as apresentações e os dois se cumprimentaram com um simples aceno de cabeça. O silêncio de no máximo um minuto que pairou no ar pareceu de dez.
- Eu... Creio que tenha me chamado para falar algo importante – Rowan foi direto – Devo voltar mais tarde? – olhou para Olívia e depois para Ernest.
- Não... Eu e meu pai já estamos de saída. – Olívia explicou, vindo até mim e pedindo que a chamasse assim que a conversa encerrasse.
Ela saiu com Ernest e enfim fiquei frente a frente com Rowan. E o objetivo inicial nem era aquela conversa franca entre nós dois, mas era o que aconteceria.
- Quero saber como está a situação entre você e Aneliese. Lembro que a última vez que nos falamos, mandei que pedisse o divórcio.
- Não lembro de termos nos falado – ele sorriu – lembro apenas de você ter me agredido... Inclusive quebrando meu nariz. E sinceramente... Fico a imaginar se devo continuar deixando uma pessoa como você, que não sabe se controlar emocionalmente, se aproximar da minha filha.
- Não pode usar Rarith contra mim, Rowan. Ela também é filha de Aneliese.
- Eu não tive tempo de pedir o divórcio. Sua irmã o fez primeiro.
- Que bom! Pelo visto então é um desejo dos dois.
- Pode achar que não, mas eu gosto de Aneliese.
- Gosta tanto que se meteu com a minha mulher.
- Sei que não acredita em mim, mas Olívia provocou tudo que aconteceu.
- Seu filho da puta! – Tentei me levantar, mas o soro que estava com acesso cravado na minha mão me impediu.
- Eu disse para sua irmã que estou disposto a dar o divórcio a ela... Desde que a guarda de Rarith fique comigo.
Eu ri, incrédulo:
- Está brincando, Rowan?
- Aneliese sabe que se eu for para uma briga judicial, ganharei a guarda da nossa filha, pois sua irmã se automedica e dorme por horas, sendo incapaz de cuidar da própria filha.
- Ela pode contratar uma babá.
- Acredito que ela faça uso de medicamentos por ter problemas psicológicos. Sei que a mãe de vocês fazia isto... E por este motivo morreu. Posso pedir uma avaliação psicológica de Aneliese... E tenho certeza de que, levando em conta o histórico da família de vocês e tudo que sua irmã faz, nenhum juiz ou juíza daria a guarda da menina a ela.
Pelo visto aquele filho da puta não sabia ainda que minha irmã estava com câncer. E se Aneliese não se dispôs a lhe contar, eu que não o faria.
- Se forem para uma briga judicial por Rarith, sabe que eu disponibilizaria os melhores advogados do mundo para minha irmã.
- Rarith é minha filha e pelo bem-estar dela eu faço qualquer coisa. Ou seja, encontrarei advogados que irão contra os seus.
- Será que se eu tirar Rarith do meu testamento ainda assim lutará pela guarda, Rowan? – Perguntei de forma séria.
- Não tenha dúvidas, Gabe! Faço isto por amor!
Eu gargalhei:
- Seu amor por Rarith é tão lindo quanto o de Ernest por Olívia!
- Bem, você não sabe o que é isto, não é mesmo? Afinal, seu filho morreu antes mesmo de nascer! Então não fale de amor paterno quando não sabe o que isto significa.
- Eu só não quebro o seu nariz agora porque estou atrelado à porra desta cama. Mas se prepare, Rowan... Tirarei Rarith do meu testamento. Porque sei que todo o seu interesse é no dinheiro que sua filha irá herdar.
- Hum, pelo visto Olívia tirou a sorte grande! Será uma das mulheres mais ricas do mundo. Se eu fosse você tomava bastante cuidado depois disto... Afinal, você a conhece há bem pouco tempo... Ah, esqueci que os Abertton são seus velhos conhecidos. Então claro que você confia totalmente neles, principalmente no papai dela. – Riu, com sarcasmo.
Suspirei:
- Rowan, lembra daquela noite em que voltei para a sua casa e o chamei para a rua?

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