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A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I romance Capítulo 200

POV GABE

Quando Ernest entrou no quarto, senti imediatamente o ar ficar rarefeito. Era bem difícil para mim olhar para aquele homem e não o culpar. E o pior que não era pelo que aconteceu no passado. Mas porque por dez anos da minha vida eu botei na cabeça que o odiava e que por conta dele havia perdido Mônica e o bebê.

Não sabíamos ao certo quanto tempo levaria para Rowan chegar e precisávamos de alguma forma manter Ernest ali para que o encontro entre os dois pudesse acontecer.

Na casa do lago, quando percebi alguns momentos de preocupação paterna de Ernest com relação à filha, como quando me deu um soco, cheguei a pensar que poderia estar sendo injusto com aquele homem. E eu amava Olívia com todas as minhas forças, o suficiente para entender que era capaz de “minimizar” o acontecido no passado com o pai dela em nome daquele sentimento.

Porém, mesmo tentando encontrar todas as desculpas possíveis para perdoá-lo, eu ainda não conseguia sentir segurança ao lado daquele homem, como se a qualquer momento pudesse ser apunhalado pelas costas. Ernest Abertton não era alguém confiável. Foi capaz de dar a própria filha em troca de uma casa e meia dúzia de móveis velhos. E meu chuchu valia muito, muito mais.

Então respirei fundo, tentando encher meus pulmões do ar que parecia insuficiente para nós dois e respondi o cumprimento dele:

- Oi... Sim, estou melhor. – Sendo que mal entendi o que ele havia dito quando entrou.

- Pai, Gabe quer falar com você sobre... – Olívia cortou o silêncio, hesitante.

Eu precisava cumprir minha parte, como havia prometido a ela: perdoar oficialmente aquele homem, mesmo sabendo que ele poderia ser mais culpado do que eu imaginava. Afinal, em minha mente, Ernest tinha responsabilidade porque sua empresa administrava a rodovia na época do acidente, e o local das obras não estava devidamente sinalizado.

No entanto, nas últimas horas, Ernest Abertton estava a um passo de se envolver profundamente naquela história, literalmente até o pescoço. Se fosse descoberto que ele havia se aliado a Rowan para qualquer propósito, seu veredito seria claro: culpado e mau caráter, sem direito a defesa.

- Eu gostaria de dizer que a sua antiga casa está no nome de sua filha.

- Eu... Fiquei sabendo – ele disse de forma branda – Isto quer dizer que... Vocês se acertaram?

- Sim. – Confirmei – E... Eu gostaria muito de acreditar que você não tem nenhuma parcela de culpa no acidente que matou minha ex-namorada no passado.

- “Gostaria muito”? – ele riu, estreitando os olhos, como que pedindo uma explicação.

Sim, eu “gostaria muito”... Porque no fundo não acreditava em sua inocência, principalmente depois de tê-lo visto junto de Rowan. E caralho, a presença daquele homem estava ficando cada vez mais difícil de engolir.

Olhei para chuchu e percebi toda sua insegurança. Porra, por que ela me deixava totalmente rendido daquela forma?

- Não acredito que possamos ser amigos, Ernest – fui sincero, principalmente por conta de minha esposa e a combinação que fiz com ela – Mas estou disposto a esquecer tudo que me fez persegui-lo pelos últimos dez anos.

Houve um breve silêncio antes de Ernest perguntar:

- Isto inclui... Me devolver tudo?

- O quer seria o “tudo” a que ser refere, Ernest? – Fiquei confuso. Ou me recusei a entender.

- Tudo que me fez perder nos últimos dez anos.

- Que seria? – Estreitei os olhos, incentivando-o a continuar.

- Dinheiro, imóveis... Minha empresa!

Olhei para Olívia, tentando encontrar nela a paz e serenidade que eu precisava naquele momento para não levantar dali e encher aquele homem de socos.

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