- Já se olhou no espelho? – ele provocou – Não está muito melhor que eu.
- Eu te defendi, seu otário. Poderia estar morto neste momento.
- Será que foi um dos homens que deu um chupão no seu pescoço? – não conteve o sarcasmo.
Fui até ele e peguei-o pela gola da camisa, tendo vontade de socá-lo.
- Meu nariz não! – pediu – Por favor, eu ainda nem me recuperei do outro soco que você me deu!
- Quem eram aqueles homens? Como encontraram você?
- Eu... Devo para algumas pessoas! – Confessou, com a voz hesitante.
- Que pessoas? – Perguntei ainda com ele em minha posse, sem soltar sua camisa.
- Donos... De cassinos.
- Como é possível dever para donos de cassino? – Perguntei, confuso.
- Eu... Sou cliente assíduo... E jogo muito... Então... Quando não tenho dinheiro... Eles me emprestam...
Engoli em seco e o soltei de forma violenta, fazendo com que quase despencasse da cama.
- Você pôs a vida da minha mulher em risco! – gritei, furioso – A buscou em sua casa e se não bastasse lhe deu bebida alcoólica sabendo que ela não pode beber.
- Você disse que eu e ela merecíamos uma chance. Então... Eu convidei-a para sair.
- Nunca mais se aproxime de Olívia, entendeu? – Apontei o dedo indicador na direção dele.
- Caralho, você a ama!
- Não discutirei isto com você, seu merda!
- Ama ela... Então por que porra me mandou ficar com Olie?
- Porque achei que ela gostava de você... Mas eu estava enganado.
- Diga a ela, porra! Diga que a ama!
- Você não tem direito de se meter na minha vida.
- Gabe, deixe esta vingança idiota para trás... E fique com Olie.
- Se a chamar de Olie mais uma vez, vou deixá-lo sem dentes.
Ele riu:
- “Olie e Gabe”... Até que combina.
- Idiota! – O idiota soou até gentil.
- Você se declara para Olie e diz que não fará nada contra o pai dela, vocês vivem felizes para sempre e... Eu devo ser recompensado.
- Você, recompensado? – eu ri, com escárnio – Vai me dizer que quer ser recompensado por achar que será o responsável por eu confessar a ela que deixarei a vingança por que a amo?
- Na verdade eu nem tinha pensado nisto... Mas sim na parte que não compareci ao casamento, o que fez com que você tivesse que tomar o meu lugar. Ou seja, fui o cupido, mesmo que de forma involuntária. – Sorriu, com aquela autoconfiança que me fazia ficar puto com ele.
- Que recompensa quer, Jorel? Dinheiro?
- Sim. Se eu não pagar, irão me matar, Gabe. E... Eu sou muito jovem e bonito para morrer... Tenho uma vida toda pela frente...

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