POV OLÍVIA
Senti meu corpo inteiro reagir à declaração de Gabe Clifford. E não consegui impedi-lo de se arrepiar por inteiro. E antes que Gabe se fosse, ainda sem abrir meus olhos, puxei sua cabeça na minha direção e o beijei, enfiando minha língua dentro de sua boca, sentindo seu gosto no meu, a saliva morna e que tinha o melhor gosto do mundo... Gosto de amor.
Quando Gabe se afastou, limpei a lágrima traiçoeira que escorreu pelo canto do meu olho e o encarei.
- Você... Estava acordada?
Assenti, com um sorriso, ao perceber o pavor nos olhos dele.
- Isto quer dizer... Que ouviu tudo que eu disse?
- Cada palavra... Desde a parte que disse que eu sou linda! – Sorri.
- E... A última parte?
Sentei na cama enquanto Gabe me olhava, confuso. Puxei-o pelo braço, fazendo-o se aproximar de mim e disse, abandonando todos os meus medos:
- Eu também te amo, Gabe.
Ficamos nos olhando enquanto Gabe enlaçava os dedos nos meus. Sua expressão era de confusão. E eu até entendia, porque também estava estranhando tudo que nos acontecia naquele momento, embora não tivesse dúvidas do amor que sentia por ele.
- Está dizendo que me ama... Por que... O que eu sentir você sentirá? Da mesma forma que fará o que eu farei? – Questionou, olhando profundamente nos meus olhos.
- Estou dizendo que o amo porque eu sinto isto dentro de cada célula que me compõe.
- Eu fui horrível com você... Não pode me amar!
- Eu amo você... Do jeito que é... Um ser horrível, desprezível... E ainda assim dono do meu coração.
- Chuchu... Você não pode... Me amar...
- É tarde demais, Gabe! Já faz um tempo que eu sinto isto... Muito tempo.
Ele se afastou e virou-se de costas para mim, ainda parecendo atordoado.
- Gabe... Eu ouvi você dizer que me amava... Ou foi um sonho?
Gabe respondeu, ainda de costas:
- Sim, eu disse...
- Então... Você me ama, Gabe? Se sim... Repita, por favor... Eu preciso ouvir de novo.
- Eu... Não sei se consigo.
Levantei-me, saindo da cama e indo na direção dele. Me pus de frente para seu corpo e o peguei pelo queixo, o obrigando a olhar-me nos olhos:
- Por favor... Se realmente me ama... Diga de novo... Sem que eu esteja de olhos fechados... Sem medo... – Implorei.
- Eu... – ele abaixou a cabeça, tenso e depois voltou a encarar-me, parecendo criar coragem novamente – Eu te amo, Olívia!
O abracei com força, sentindo meu coração bater tão forte que parecia que iria explodir. A sensação que eu tinha era de que vivi a vida inteira para chegar exatamente naquele momento, junto dele, ouvindo que eu era amada, apesar de tudo que aconteceu e todo ódio que ele sentiu ou ainda sentia.
- Este amor... É maior que tudo, Gabe? – Não me atrevi a retirar o rosto do seu peito, sentindo seus dedos acariciarem meus cabelos.
- Eu nunca senti nada igual na vida ao que sinto por você, chuchu... É grande... Tão grande que... Quero ficar com você para sempre. E se concordar, deixarei seu pai com a casa e tudo que estiver dentro dela...
- E... A... – Senti medo de perguntar sobre a vingança e a resposta me destruir por completo.

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