POV GABE
Como assim Rowan puxou minha esposa para um beijo? E caralho, demorado demais para o meu gosto! Eu estava tão atento que percebi que quando ele foi soltar a mão de Olívia, ela segurou-a por um tempo enquanto o encarava e notei suas unhas cravando na palma das mãos de meu cunhado.
Que porra era aquela?
Assim que se soltaram, Rowan deu um passo para trás, sério, e fechou as mãos, a respiração visivelmente acelerada. A governanta abriu a porta e Olívia saiu praticamente correndo, fazendo com que eu fosse atrás, sem tempo para me despedir de Aneliese e Rarith.
Olívia pegou o caminho em direção ao portão de saída da propriedade, como se fosse perto o suficiente para ir a pé. A segui:
- Ok, se não quer ir comigo embora, posso levá-la ao menos até a rua, para que possa pegar um táxi.
Ela continuou caminhando, como se não me ouvisse. Tentei alcançá-la e quando cheguei perto chuchu começou a correr, parecendo totalmente desnorteada. Corri atrás dela, como se estivéssemos numa competição, que ela certamente perderia por estar de salto alto e roupa inapropriada. Quando peguei seu braço, fazendo-a parar, percebi o quanto sua respiração estava acelerada e as mãos frias. E... Porra, ela estava chorando!
Eu sempre tinha palavras e respostas para tudo. Mas naquele momento fiquei totalmente inerte em mim mesmo, sentindo a dor das lágrimas que ela derramava, sem ao menos saber o motivo.
Aquilo era amor? Sim, certamente era o inexplicável amor. E caralho, eu nunca na vida senti aquela porra antes.
- O que... Eu fiz? – Perguntei, minha pronúncia mal saindo, como se a voz tremesse na garganta.
- Por que contou para ele?
- Para ele quem? O que eu contei?
- Contou a Rowan sobre o meu passado... E minha mãe... – limpou as lágrimas, com raiva – E... Foi você que lhe disse que eu era uma prostituta?
- Eu nunca tive intimidade com Rowan para falar sobre qualquer coisa...
- Falou... Eu sei que falou. Até quando seu ódio irá me prejudicar? – as lágrimas seguiam traindo-a.
- Você mesma falou sobre sua mãe e toda sua vida... Em rede nacional, chuchu!
- Antes disto Rowan já tinha me humilhado... E achado que poderia me pagar para foder com ele! Então foi você sim.
Puxei-a ainda para mais perto e encarei-a, os olhos escuros ainda mais lindos sob a claridade da lua que os iluminava. Senti meu coração acelerar e o sangue ferver dentro de mim. E não, não foi de vontade de tomá-la e fodê-la ali mesmo.
- Me explique... Isto.
- Não! Eu não quero mais falar com você! Me deixe em paz! Você só me traz tristezas, Gabe.
- Fale agora! – Vociferei, entredentes – Eu vi você cravando as unhas na palma da mão dele.
- "Ainda vou comê-la, sua vagabunda!"... Estas foram as palavras de Rowan quando se despediu de mim.
- E na vez anterior... O que ele fez?
Ela abaixou os olhos e evitou me encarar. Apertei seu braço com mais força, de forma involuntária, fazendo com que ela confessasse:
- A mão dele me tocou por debaixo da mesa...
Soltei-a de imediato, o que ela não esperava. Olívia se desequilibrou e quase caiu. Virei as costas e fui feito um animal de volta para a casa. Ela interpelou-me, pulando na minha frente, tentando me impedir de fazer qualquer coisa:
- Gabe, tem Aneliese... E Rarith! Eu não fiz nada antes por conta delas.
- Mas eu vou fazer! – Tentei afastá-la, sendo que chuchu se agarrou a mim, abraçando-me com força.
Sim, tudo que eu desejei nos últimos dias foi um abraço como aquele. Mas era a hora errada, porque no momento eu preferia quebrar o nariz de Rowan.
- Gabe, Aneliese não deve saber...
Enquanto eu tentava andar, Olívia pulou no meu colo, agarrando-se a mim feito um polvo. Eu até tinha esquecido que quando queria ela parecia ter mais pernas e braços do que uma pessoa normal.

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