- Sim. E a princípio eu não tinha nada contra Mônica, mesmo ela não fazendo nada a não ser ficar grudada em Gabe o tempo todo. E, embora meu irmão nunca tenha sido muito próximo de nós, o tempo que esteve com ela conseguiu ser ainda pior. Gabe sempre se dedicou muito ao trabalho e aos estudos. Foi moldado para isto, por nosso pai. Mesmo garoto, ele nunca pôde se divertir ou fazer coisas de garotos normais de sua idade. Sempre foi um mini adulto. E Jorel só conseguiu ser diferente porque ficou órfão cedo... E mesmo eu não entendendo nada de maternidade, lhe dei liberdade para ser adolescente... E talvez a liberdade tenha sido excessiva, já que ele não criou responsabilidades até hoje – suspirou – Enfim... Gabe não sabe ser diferente... Porque ele nunca teve oportunidade de fazer isto.
- Mas... E as coisas que ele fez com Mônica?
- Viajou para vários lugares do mundo... Lhe deu joias, roupas e sapatos caros...
- Acha que ela era interesseira?
- Na minha opinião ela manipulava Gabe... Para ter o que queria.
- Você... Não gostava dela?
- Não era alguém que eu gostava... Nem desgostava. O tempo que meu irmão esteve com ela foi o que mais se afastou de nós. Mas o que me deixou mais desconfiada sobre os reais interesses de Mônica foi que presenciei ela dando em cima de Rowan.
Engoli em seco. Seria Mônica dando em cima de Rowan ou o contrário? Aneliese não sabia que seu marido era um filho da puta, então?
- Acha que...
- Por que está demorando tanto? – A voz de Rowan ecoou pela cozinha, fazendo-me dar um salto.
Eu perguntaria se Aneliese achava que Mônica estava tentando seduzir Rowan, mas não consegui terminar.
- Vou... Ver se Rarith e Gabe estão se divertindo... – Dei uma desculpa e saí dali imediatamente, não disposta a ficar naquele espaço com Rowan.
Eu já sabia onde ficava a sala de legos e me dirigi para lá. Quando abri a porta, deparei-me com Gabe sentado no chão, montando algo que era mais alto que ele. Tinha um sorriso no rosto, daqueles espontâneos, que se dá quando se está feliz. E era para ela... A luz de seus olhos, a bela e maravilhosa Rarith, a pônei da generosidade.
Retirei meus calçados e me juntei a eles:
- Farei um castelo maior que o de Gabe. – Provoquei.
- Posso morar nele? – Gabe me olhou.
- Depende... – Não o olhei, segui encaixando as peças coloridas.
- Depende do quê?
- De esquecer o passado... – Segui concentrada no que fazia, sabendo que olhar em seus olhos seria minha ruína.
Ouvi o suspiro dele:
- Talvez realmente seja melhor um tempo.

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