Deparei-me com Rarith, que me encarou, estreitando os olhos, surpresa com o que via. Separei-me rapidamente de Jai e perguntei:
- Oi, querida... Você... Está bem?
- Só vim me despedir de você. – disse, vindo até mim e me dando um abraço.
Peguei-a no colo e dei-lhe um beijo:
- Até amanhã.
- Até amanhã, Olívia.
A soltei e Rarith encaminhou-se até a porta novamente. Antes de fechá-la olhou para Jai e depois para mim, desconfiada:
- Você está curando o coração do diretor também, Olívia?
Respirei fundo, sentindo um frio percorrer minha espinha. Claro que ela contaria a Gabe e ele entenderia tudo errado. E não, eu não estava disposta a compartilhar minha vida pessoal e meu maior segredo com ele... Que não merecia saber.
- Sim, estou curando o coração do diretor. – Respondi.
Ela sorriu e fechou a porta, saindo.
- Vai me usar como cobaia para fazer ciúme?
- Só pouquinho! – Ri.
- Marcarei o exame agora mesmo e lhe avisarei a data.
- Você tem filhos?
- Não, não tenho – ele riu – E fui casado, mas não sou mais.
- Divorciado?
- Sim, divorciado e sem filhos.
- Por que terminaram?
- Acho que não nos amávamos o suficiente para compartilharmos uma vida a dois, que não é nada fácil.
- Eu gostei de ser casada, embora Gabe e eu não morássemos na mesma casa.
- Ele parece muito possessivo com relação a você.
- Sim, ele é. E por mais louco que pareça, gosto disto. E nem Freud explica, acredite. Mas na minha cabeça faltou algo na infância... E que Gabe de alguma forma supre.
- Todas as pessoas são diferentes, com defeitos e qualidades. E é exatamente isto que as torna únicas. Casais diferentes tem mais probabilidades de ficarem mais tempo juntos, pois evita que caem na rotina.
- Jai... E se meu pai for o mesmo seu?
- A questão principal não é esta... E sim se ele sabe da minha existência.
- Ernest Abertton... É... Um sujeito legal. Ele me salvou.
- Eu... Me apropriei um pouco da sua história, mesmo sem o seu consentimento. E sei que ele lhe assumiu como filha somente após a morte de sua mãe. Ele não sabia da sua existência antes?
- Sim. Mas não acreditava que eu fosse sua filha. E... Quem poderia julgar? Minha mãe era uma prostituta.
- Quem poderia julgar? Bem, um exame de DNA.
- Eu... Prefiro não pensar sobre isto, Jai.
- Acha melhor esquecer o que ele poderia ter feito e focar no que ele fez, mesmo de forma tardia?
- Ele tinha uma família...
- E pelo visto nunca se importou com ela, já que tinha uma amante fixa. Ele já tinha uma filha quando se relacionou com nossa mãe.
Levantei e olhei no relógio:
- Eu... Preciso trabalhar. Ficamos muito tempo aqui, sozinhos. Alguém pode desconfiar e não quero que pensem que consegui este emprego porque sou amante do diretor.
Jai levantou-se e me deu um beijo na bochecha:
- Se você for minha irmã, quero que saiba que poderá contar comigo para tudo, Olívia.

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