- Senhor Litrow, eu ainda sou uma mulher casada. O divórcio ainda não está assinado. Gabe está resistente... E... Eu sequer consegui um advogado que queira me ajudar.
- Você gosta dele?
- Gosto! Mas... Sei que preciso seguir em frente. Aliás, “eu quero” seguir em frente. Ao mesmo tempo não posso negociar com o senhor o emprego em troca de sairmos juntos ou nos relacionarmos. Achei que foi tudo... Muito rápido entre nós, tipo mal nos conhecemos, me convidou para sair... E fica... O tempo todo me deixando confusa, como se quisesse me dizer algo que nunca diz. E já sei do que se trata.
- Do que se trata?
- Eu e você... Tipo... Sair e... Transar!
Ele riu:
- Deus que me livre!
Estreitei os olhos, confusa:
- Sou... Tão horrível assim? Então... Por que me convidou para sair?
- Deixei claro que tínhamos que conversar.
- Ok, fale logo o que tem para dizer e vamos acabar logo com isto.
- Sente-se, por favor.
- Estou bem assim. – Cruzei os braços, de forma firme.
- Sente-se, Olívia.
A voz dele foi tão séria que peguei uma cadeira de forma automática, sentando-me. Depois olhei para a porta e mencionei:
- É agora que a sua secretária lhe chama por que um meteoro caiu no jardim ou um professor desmaiou?
Ele riu e percebi o quanto seu sorriso era bonito. Jai me agradava, mas ao mesmo tempo eu tinha medo de me envolver com alguém novamente. Gabe tinha me machucado muito.
- Eu sou seu irmão, Olívia.
Senti meu corpo todo ficar amolecido e então entendi o motivo pelo qual ele mandou que eu sentasse. Se tivesse de pé, certamente teria caído no chão. Tentei processar as palavras dele, mas não conseguia. Eram mil sensações e as palavras passeavam pela minha mente, mas não saíam pela boca.
- Sinto muito lhe dizer assim... Mas não havia um jeito menos chocante de falar a verdade.
- Não... Po-pode... – Gaguejei.
- Já fazia um tempo que eu procurava por você. Depois que vi a sua entrevista na internet, anunciando as benfeitorias de Gabe Clifford com relação a diabetes e contando que era filha de uma prostituta, tive certeza de que era quem eu procurava.
- Soube que era eu... Só porque confessei ser filha de uma prostituta?
- Tinha algumas outras informações, claro.
- Com quem conseguiu?
- Tiane.
- Tiane? Você... Conhecia Tiane?
- Não, mas ela que me avisou que eu tinha uma irmã.
- Meu Deus... Isto... É... Surreal. – passei a mão pelo rosto, totalmente atordoada. Tiane era uma das amigas de minha mãe, mais precisamente a que foi atrás de meu pai quando mamãe morreu.
- Nossa mãe me entregou para a adoção quando nasci.
Não sei se tive pena dele ou se julguei que teve sorte.
- Fui adotado com três meses.
- Teve uma boa família? – Eu quis saber.
- A melhor! – ele sorriu – Sou grato por nossa mãe ter me dado a chance de ter tido uma família.
- Como soube de mim?
- Conforme fui crescendo, minha família confessou que eu era adotado. Então, há uns dois anos atrás, decidi revirar meu passado e descobrir sobre meus genitores. Claro que poderia ter feito isto antes, mas não tive interesse. E nem sei ao certo o motivo pelo qual acabei tendo esta atitude tão tardiamente. Foi quando me deparei com a realidade de que minha mãe era uma prostituta e... Saber quem era meu pai estava dentre as coisas mais impossíveis do mundo – sorriu – Ao menos ela sabia quem era o seu genitor.

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